SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

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Afinado com Bolsonaro e Guedes, Rodrigo Maia propõe corte nos salários dos servidores para enfrentar crise de saúde, mas silencia sobre revogação do “teto de gastos”

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendeu nessa segunda-feira, 23, a redução dos salários dos servidores e das servidoras dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário como forma de destinar recursos para o combate à crise de saúde. Para Maia, que recebe mais de R$ 30 mil mensais apenas de salário direto, os vencimentos dos servidores são altos demais.

Com as declarações dadas na segunda-feira, em entrevista à CNN Brasil, Maia comprova mais uma vez seu alinhamento com o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) e Paulo Guedes. Em que pese as rusgas polí­ticas causadas por disputas de podere pelos óbvios caminhos autoritários que Bolsonaro tenta trilhar “, fica claro que, na pauta econômica, Maia e o governo são galhos da mesma árvoreo desmantelamento do caráter público do Estado e o direcionamento dos recursos públicos para a ampliação dos lucros dos mais ricos.

Revogação do teto de gastos

Embora Maia afirme que todos vão ter que colaborar para garantir os R$ 400 bilhões que estima serem necessários para combater a crise do coronaví­rus, Maia silencia sobre a necessidade de revogação imediata da emenda constitucional (EC) 95/2016, que congela os investimentos públicos por vinte anos e já retirou, apenas do SUS, R$ 20 bilhões. Acontece que a EC 95 limita os gastos governamentais com todos os setores, menos com o abastecimento do mercado financeiro. É para os banqueiros e os grandes especuladores que os recursos desviados de saúde, educação, pesquisa, etc., agora tão urgentes (e sempre tão necessários), são direcionados.

Diversas entidades, como o Conselho Nacional de Saúde (CNS), partidos polí­ticos de oposição, centrais sindicais, movimentos populares e especialistas têm defendido a revogação do teto de gastos como uma necessidade para enfrentar tanto a crise sanitária como a crise econômica que já vinha em marcha e que se vê agravada em meio à pandemia.

Governo brasileiro, na contramão, pode jogar o paí­s na recessão

Enquanto diversos paí­ses ao redor do mundo enfrentam a situação com medidas sanitárias drásticas e medidas econômicas de fomento e de segurança para os trabalhadores e as trabalhadoras, o governo brasileiro e as lideranças parlamentares a ele alinhadas, como Maia, escolhem caminhos desastrosos tanto do ponto de vista dos trabalhadores quanto da economia. Em carta aberta divulgada neste iní­cio de semana, todos os 77 professores do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) advertem que as medidas que o governo vem tomando irão jogar o paí­s na recessão.

A redução de salários dos trabalhadores do serviço público e da iniciativa privada segue em voga no governo. As propostas de emenda à Constituição (PEC) contidas no Plano Mais Brasil, em especial a chamada PEC Emergencial , são parte desse projeto de desvio de mais recursos públicos para os bolsos dos mais ricos. Com dificuldades para viabilizar e legitimar votações de propostas como essas neste momento, o governo ataca os salários por outros caminhos. A Medida Provisória 927/2020, editada nesta semana por Bolsonaro, permitia a suspensão dos contratos de trabalhona iniciativa privadapor até quatro meses, desconsiderando as necessidades dos trabalhadores de pagar suas contas e alimentar suas famí­lias. Após forte pressão, o governo recuou, mas, como demonstra a declaração de Maia, os donos do poder seguem de olho nos nossos salários e querem fazer com que nós, trabalhadores e trabalhadoras, paguemos a conta da crise do capital.