SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

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IX Congresso Estadual do Sintrajufe/RS: em debate sobre saúde no trabalho, primeiros dados da Pesquisa de Saúde 2018 são apresentados

A tarde de domingo, 25, teve, no IX Congresso Estadual do Sintrajufe/RS, um debate sobre saúde no trabalho. Integrantes da assessoria de saúde do sindicato, o médico Fernando Feijó e a psicóloga Eduarda Buriol foram os painelistas convidados, enquanto os diretores Camila Breda e Ruy Almeida mediaram a mesa.

Fernando Feijó apresentou os primeiros dados e análises obtidos a partir da Pesquisa de Saúde do Sintrajufe/RS 2018, que foi construí­da como uma continuação da Pesquisa de 2016. Fernando explicou os principais objetivos da nova pesquisa: acompanhamento do panorama das condições de trabalho e de saúde, informação sobre riscos do trabalho e sobre os problemas de saúde, construção das polí­ticas em saúde do trabalhador e da trabalhadora, instrumentalização da luta dos trabalhadores. Ele esclareceu que a demografia dos participantes da pesquisa foi muito semelhante à anterior, e também semelhante à realidade geral da categoria, além de ser uma amostra com bom tamanho: foram 2140 respondentes.

Nos resultados preliminares, já foi possí­vel perceber que os métodos de gestão do trabalho no Judiciário Federal apresentam alto ní­vel de risco à saúde dos servidoresnas respostas, foi identificado 65,1% de risco alto, 10% de risco moderado, 24,9% de risco baixo. Entre 2016 e 2018, houve aumento em atos negativos indicativos de assédio (de 82,7% para 83%) e em assédio moral propriamente dito (de 16,9% para 17,7%). Ao mesmo tempo, os números demonstram que os servidores, na maioria dos casos, não percebem que estão sofrendo assédio. Também houve aumento nos casos de transtorno mental comum, o que é fortemente relacionado ao assédio moral e ao estresse no trabalho. Mostrou-se preocupante, ainda, o aumento da ideação suicida, de 3,1% em 2016 para 4,2% em 2018 (um crescimento de 35%) – entre os colegas que sofrem assédio moral, esse percentual chega a quase 10%. Outro problema demonstrado pelos novos dados é a alta correlação entre a cobrança excessiva de metas e o assédio moral e os transtornos mentais.

O problema do assédio moral foi aprofundado na fala da psicóloga Eduarda Buriol, que traçou um panorama das caracterizações dos possí­veis caminhos de enfrentamento ao assédio. Antes, porém, destacou a importância de que os delegados presentes ao Congresso funcionem como multiplicadores dessas informações nos locais de trabalho, de forma a se fazer o enfrentamento coletivo e solidário a esse grave problema. Ela esclareceu que o assédio moral é um tipo especí­fico de violência no local de trabalho, prolongada, repetida e sistemática, e que, conforme aumenta a frequência dos atos negativos, aumenta o adoecimento mental, como demonstraram as duas pesquisas do Sintrajufe/RS. Outra caracterí­stica do assédio moral, explicou Eduarda, é que implica uma relação de poder, não necessariamente de hierarquia. No caso do Judiciário Federal no Rio Grande do Sul, porém, as pesquisas têm deixado claro que a relação de hierarquia é importante: 79,58% dos casos de assédio têm magistrados ou chefias como assediadores. O assédio moral, explicou, carrega questões pessoais, mas também organizacionaisa cobrança de metas e as dinâmicas de trabalho são parte fundamental desses processos.

É importante, ressaltou a psicóloga, que esse assédio seja percebido, o que não vem ocorrendoapenas 23% dos que sofrem assédio moral frequente identificam essa situação e, sem perceber, não há como enfrentar essa realidade, e os servidores acabam adoecendo. Os assediadores também parecem não perceber o que fazem: apenas 0,37% (seis pessoas) se reconheceram como assediadores nos últimos 6 meses, e 1,34% (22 pessoas) nos últimos 5 anos, o que demonstra que o assédio moral é, muitas vezes, algo naturalizado e estrutural. Assim, a informação e o debate são passos fundamentais para instrumentalizar a categoria para enfrentar essa realidade de forma coletiva e solidária, defendeu a psicóloga.

Nas intervenções dos colegas presentes, esteve sempre presente a preocupação com a necessidade de que a Pesquisa de Saúde sirva como instrumento para a luta coletiva da categoria contra o assédio moral, como tem ocorrido com as “10 medidas de combate ao adoecimento e ao assédio moral”, fruto da pesquisa anterior. Os colegas também expressaram preocupação com a crescente precarização do serviço público, o que tende a gerar ainda mais problemas para a saúde dos trabalhadores. Assim, destacaram, a solidariedade será cada vez mais importante para a defesa de melhores condições de trabalho e de saúde mental e fí­sica para todos.

Ao final do debate, foram aprovadas resoluções relativas a ações concretas e pautas que serão defendidas na busca por melhorar as condições de trabalho e de saúde da categoria.