|
Juízes contestam
resolução do nepotismo no Supremo
A Associação
Nacional dos Magistrados Estaduais (Anamages)
rompeu com a linha das demais associações
de magistrados do país e ajuizou no STF
a primeira ação direta de inconstitucionalidade
(Adin) contra a Resolução nº
7 do CNJ. A resolução proíbe
a contratação de parentes de magistrados
de até terceiro grau para o exercício
de funções comissionadas nos tribunais
e nas empresas que prestam serviços ao
Poder Judiciário. Apesar das críticas
de juízes estaduais e presidentes de tribunais
à proibição do nepotismo,
a principal entidade da magistratura - a Associação
dos Magistrados do Brasil (AMB), com 14 mil associados
- manteve seu apoio à resolução
e as associações de juízes
federais e trabalhistas seguiram a mesma linha.
Segundo o presidente da Anamages, Elpídio
Donizetti Nunes, desembargador do TJ/MG, em quatro
anos de existência sua associação
já conta com 3.200 associados - são
13 mil juízes estaduais no país
- e entrou com a ação porque "não
tem medo da opinião pública".
O
magistrado diz que a associação
é "radicalmente contra o nepotismo",
mas acha que o CNJ entrou em uma crise de identidade,
pois em vez de realizar o mero controle administrativo
e financeiro do Judiciário, passou a legislar.
Segundo o presidente da associação,
o CNJ tem competência para regulamentar
aquilo que já está previsto em lei,
mas a proibição do nepotismo, diz,
ainda não tem previsão legal. Donizetti
diz que, paralelamente à Adin contra a
resolução do CNJ, a Anamages encaminhou
aos presidentes da Câmara dos Deputados
e do Senado uma carta cobrando a votação
da Emenda Constitucional n° 334-A, que proíbe
a contratação de parentes em todas
as esferas do poder público. A emenda completa
dez anos de tramitação em março
de 2006.
Segundo
o desembargador, a resolução do
CNJ quebra o pacto federativo e a autonomia do
Judiciário, pois fere regras locais sobre
o assunto. Como exemplo, cita a Constituição
estadual do Rio Grande do Sul, que proíbe
o nepotismo até o segundo grau de parentesco,
e uma norma do TJMG que proíbe a contratação
de parentes dos desembargadores nos seus gabinetes.
Ele diz ainda que, ao contrário da AMB,
a Anamages não foi contra a criação
do CNJ. O presidente da Anamages trabalha com
a hipótese de que o Supremo vai suspender
a resolução antes do prazo de 90
dias para as exonerações de parentes
de juízes. (Valor Econômico)
<<
Outras Edições
|