|
BRASIL
Relator prevê votação
da Reforma Sindical ainda em 2005
A Reforma Sindical pode ser
votada ainda neste ano, conforme previsão
do relator da matéria na Comissão
de Trabalho, Administração e Serviço
Público, deputado Tarcísio Zimmermann
(PT-RS). Ele apresentou quarta-feira substitutivo
ao projeto, mas pedidos de vista ao texto adiaram
sua votação, provavelmente para
a próxima semana.
Zimmermann cita os avanços conquistados
nas últimas negociações do
projeto com as representações sindicais
e patronais e com as lideranças partidárias.
"Ainda há necessidade de fazer acordo
a respeito de alguns itens, mas não há
nada que atrapalhe a votação caso
a proposta seja incluída na pauta, como
nós esperamos", explica.
O relator acredita na boa vontade da base governista
e da oposição para a aprovação
da matéria porque, segundo argumenta, as
alterações atendem a antigas e recentes
reivindicações das diversas categorias
profissionais e patronais. Antes de seguir para
o plenário, a matéria ainda será
analisada pela Comissão de Constituição
e Justiça e de Cidadania.
Zimmermann analisou 13 projetos de mudanças
na organização sindical para elaborar
o substitutivo. Ele lembra que a proposta principal
(PL 1528/89, do ex-deputado Jones Santos Neves)
tramita na Câmara há 16 anos. "Há
muito tempo os trabalhadores esperam por essa
reforma; portanto, é nosso dever aprová-la",
afirmou. Neste ano, o governo enviou ao Congresso
a Proposta de Emenda à Constituição
369/05, que altera os critérios para associação
profissional e sindical.
O substitutivo do relator acaba com a unicidade
sindical (sindicato único por categoria),
garante o direito à livre associação
e regulamenta as entidades de representação
sindical e patronal. Apesar de existirem como
pessoas jurídicas, essas entidades ainda
não são regulamentadas, o que leva
à necessidade de intermediação
da Justiça do Trabalho e do Ministério
Público do Trabalho nas negociações
coletivas. "Com a regulamentação,
as centrais passarão a ter poder de negociar
acordos coletivos, desde que comprovem representatividade
mínima", explica o relator.
Outra proposta de Zimmermann é que os sindicatos
passem a representar todos os trabalhadores de
determinada área, independentemente da
forma de contratação. Atualmente,
no caso das instituições públicas,
por exemplo, as associações e sindicatos
de servidores não podem representar funcionários
terceirizados, mesmo que exerçam funções
idênticas aos concursados. "Foi a forma
que encontramos para garantir a defesa dos diretos
de todos os trabalhadores", explicou.
O substitutivo garante ainda primazia do processo
de negociação coletiva para os sindicatos
e não mais para a Justiça do Trabalho;
amplo direito de informação às
categorias representadas; respeito aos direitos
das categorias minoritárias, com representação
proporcional às suas bases nas centrais
sindicais; revogação do imposto
sindical obrigatório e instituição
de nova contribuição definida em
assembléia-geral por categoria; regras
para combater a indisciplina e a conduta anti-sindical,
a fim de fortalecer as associações
e sindicatos; e regulamentação para
a representação dos trabalhadores
no próprio local de trabalho. (Agência
Câmara)
<<
Outras Edições
|