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PRA FINALIZAR
Milho transgênico
está sendo vendido ilegalmente no RS
O deputado estadual Frei
Sérgio Görgen (PT-RS) denunciou na
quarta-feira, 16, a venda ilegal de milho transgênico
no Rio Grande do Sul. O grão está
sendo comercializado no município de Barão
do Cotegipe, região norte do Estado, fruto
de contrabando vindo da Argentina. Segundo o parlamentar,
que denunciou o fato ao Ministério Público
Federal no dia 10 de novembro, há indícios
de que diversos agricultores da região
plantaram o milho nesse ano. Frei Sérgio
tomou conhecimento da venda ilegal de milho transgênico
há duas semanas. Testes laboratoriais mostraram
que o milho apresenta 27,5% do gene GA21, resistente
ao herbicida glifosato. Esse gene está
presente no milho transgênico RR GA21, da
Monsanto, largamente utilizado na Argentina. Ainda
segundo o deputado petista, o milho está
sendo comercializado sem nota fiscal em Barão
de Cotegipe pela Agropecuária Campesato.
A comercialização e plantio de milho
transgênico no Brasil é proibida,
só sendo autorizada para testes de campo.
Frei Sérgio disse à Carta Maior
que há cerca de dois anos vem recebendo
denúncias anônimas sobre a venda
ilegal de sementes no interior do Estado. Por
três vezes, solicitou testes das sementes
e os resultados deram negativos. Mas, desta vez,
o teste realizado pelo laboratório Alac
deu positivo.
O deputado pediu a um agricultor que procurasse
adquirir a semente, o que foi feito. O vendedor
afirmava estar vendendo semente de milho transgênico
vinda da Argentina. O pior, acrescentou, é
que nem se trata de sementes transgênicas
puras, devendo ser já sementes contaminadas
em outras lavouras. Segundo o deputado, se o governo
federal e a Polícia Federal não
tomarem providências imediatas para deter
essa prática, em pouquíssimo tempo
(dois anos), as lavouras do RS e de outros estados
próximos podem ser contaminadas pelas sementes
de milho transgênico, uma vez que o pólen
da planta viaja para muito longe.Segundo relatos
colhidos pelo deputado, o proprietário
da agropecuária, Jânio Luciano Campesato,
vende as sementes transgênicas abertamente,
anunciando que o milho é de boa qualidade
e resiste a herbicidas. O quilo da semente estaria
sendo vendido a R$ 15,00 (R$ 300,00 por saca de
20 quilos). De acordo com os mesmos relatos, Campesato
aceita encomendas do produto que é fornecido
por um homem não-identificado, dono de
uma importadora. Esse fornecedor estaria prometendo
para breve o ingresso no Estado de um outro grão,
mais puro.
Apesar de a denúncia ter sido comprovada
somente agora, diz Frei Sérgio, existem
fortes indícios de que agricultores da
região já plantaram e colheram milho
transgênico em 2004. O deputado considera
que essa prática de comércio ilegal
está relacionada às táticas
das empresas multinacionais que controlam o mercado
de sementes para a introdução das
sementes de transgênicos pela lógica
do fato consumado, como aconteceu com a entrada
da soja. "O que vemos é parte de uma
estratégia. Quem movimenta as peças
é a Monsanto, que cria o fato consumado
e depois consegue a legalidade através
de lobbys", denunciou Frei Sérgio.
Trata-se da política da "tecnologia
entrincheirada", disse o deputado, referindo-se
à expressão utilizada pelo ambientalista
espanhol Jorge Riechmann, autor do livro "Cultivos
e Alimentos Transgênicos" (publicado
no Brasil pela Editora Vozes). A empresa cria
uma trincheira no campo, estimulando essas práticas
ilegais, e depois trata de fazer lobby junto às
autoridades para legalizar o fato consumado.
Ele alertou para as conseqüências econômicas
e ambientais da introdução do milho
transgênico, que, além de contaminar
as sementes convencionais, representaria uma ameaça
para a exportação de aves brasileiras.
O deputado petista cobrou ações
enérgicas do Ministério Público
e da Polícia Federal na investigação
do caso, e atitudes firmes do governo federal
para deter a entrada dos transgênicos no
país, mostrando menos complacência
com as multinacionais de sementes. Trata-se de
um fato extremamente grave, advertiu, uma vez
que, se as lavouras de milho convencional forem
contaminadas, os prejuízos econômicos
para os produtores podem ser piores do que os
verificados no caso da aftosa.
O parlamentar chamou a atenção para
quatro fatores que apontam os riscos a que estão
submetidos produtores e consumidores:
1) "Há uma nova lei, feita à
imagem e semelhança das multinacionais
dos transgênicos, sob a patética
omissão do governo Lula. Fizeram uma lei
como bem quiseram e agora nem a esta respeitam
buscando primeiro legalizar o milho transgênico
para depois plantá-lo. O que pensar de
quem impõe uma lei totalmente permissiva
e nem a esta se digna a respeitar?"
2) "No caso do milho o risco de contaminação
é infinitamente maior que a soja e pode
rapidamente contaminar todo o milho da região
e do Estado em pouco tempo, pois sua polinização
é aberta e cruzada e pode se propagar em
até 9 quilômetros através
de insetos, pássaros ou correntes de ventos.
Mesmos nos países em que o plantio comercial
de milho transgênico foi aprovado, uma das
precauções é manter áreas
de refúgio, planejadas antecipadamente,
como forma de proteção".
3) "O plantio comercial anárquico
e desorganizado de milho transgênico coloca
em risco toda a avicultura e suinocultura gaúcha
que depende de exportação, pois
fechará mercados importadores de aves e
suínos que não aceitam alimentação
transgênica na produção destas
carnes. O milho é a base da produção
destas carnes e é bom lembrar que a ADM
Três Passos encerrou suas atividades naquele
município pois a Sadia não mais
comprava seu farelo de soja para ração
por causa da contaminação rejeitada
pelo mercado importador".
4° - "Coloca sob suspeita de contaminação
boa parte da culinária gaúcha que
utiliza o milho como ingrediente. E talvez eu
não seja o único que me recuse a
consumir polenta transgênica....".
(Agência Carta Maior)
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