Nº 795
16 de novembro de 2005 - 12h


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GERAL
Concedida a adoção de dois meninos a duas mulheres
gaúchas que são homossexuais conviventes

O juiz da Vara da Infância e da Juventude de Bagé, Marcos Danilo Edon Franco, concedeu o registro de adoção de duas crianças (irmãos), a duas mulheres conviventes homossexuais. Dois meninos, um de 2 anos e outro de 3 anos, foram adotados, por sentença, por duas mulheres conviventes em união estável há mais de sete anos. Uma delas já era responsável pela criação desde o nascimento dos irmãos.
A mãe das crianças está grávida pela terceira vez e já procurou as duas mulheres, disposta a
doar também o futuro bebê. O magistrado argumenta que "a sociedade não pode ignorar a relação entre pessoas do mesmo sexo", que ele qualifica como "um determinismo biológico, e não uma mera opção sexual". O juiz enfatiza que "o homossexualismo não afeta o caráter nem a personalidade de ninguém". Explica que, ao conceder a adoção, considerou a excelente criação e ambiente de afeto em que vivem as crianças, satisfazendo todos os requisitos que muitas vezes não estão presentes nos lares de casais "considerados normais pela sociedade".
O juiz admite que vai "enfrentar algumas reações", mas lembra que as famílias formadas por homossexuais também devem ser reconhecidas. O Ministério Público, cujo promotor local é contário à adoção de crianças por homossexuais, já interpôs recurso de apelação. A questão será examinada pela 7ª ou pela 8ª Câmara Cível do TJRS.
Isso, segundo o juiz de primeiro grau, serve para ampliar a discussão sobre a matéria. No caso de adoção em Bagé, estão assegurados aos menores todos os direitos como dependentes das responsáveis. Para o magistrado, a possibilidade de a convivência dos meninos com homossexuais poder influir na orientação sexual deles está descartada. Argumenta que, "se isso fosse verdadeiro, não existiriam pessoas homossexuais em famílias constituídas por heterossexuais".
O juiz Marcos Danilo já havia concedido várias adoções para pessoas homossexuais, individualmente. Mas essa foi a primeira para duas conviventes do mesmo sexo. Ele acredita que sua decisão possa estimular novas adoções por parte de outros conviventes, em casos como esse. (Espaça Vital)

 

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