Nº 794
14 de novembro de 2005 - 13h


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Marcha contra racismo deverá reunir 20 mil militantes nesta quarta
Brasília deverá receber nesta quarta-feira, 16, cerca de 20 mil militantes do movimento negro que participarão da Marcha Zumbi +10 contra o Racismo, pela Cidadania e pela Vida. A mobilização, que marca os 310 anos do assassinato de Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares, em Pernambuco, durante a escravatura, reivindica avanços nas políticas de superação da desigualdade racial.
“Por que uma população vai à rua clamar pelo direito à vida? Em função da extrema violência a que está submetida essa população. Por exemplo, entre 12 e 19 anos, são 14 mil homicídios por ano no Brasil, por dados da Unesco [Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura]. A maioria são jovens negros”, disse o representante da coordenação do evento e editor do jornal Ìrohìn, Edson Cardoso.
Segundo Cardoso, a reivindicação principal da marcha é que o governo reconheça, em todas as suas iniciativas, a necessidade de adotar ações de reparação das injustiças históricas cometidas contra a população negra. “Achamos que as políticas poderiam tomar como parâmetro à superação das desigualdades raciais. Assim como existe um relatório de impacto ambiental, nós poderíamos criar uma espécie de relatório de impacto sobre as desigualdades raciais”, propôs.
O movimento apóia suas reivindicações nas estatísticas conhecidas há anos sobre a desigualdade entre brancos e negros. São diferenças de renda, acesso ao mercado de trabalho, educação, saúde, saneamento. O mais recente Atlas Racial Brasileiro, elaborado pelo Programa das Nações Unidades para o Desenvolvimento (PNUD) e pela Universidade Federal de Minas Gerais revelou que 65% dos pobres e 70% das pessoas que viviam na indigência no país em 2004 eram negros. Segundo dados do Ministério da Educação, a taxa de analfabetismo entre os negros é de 17,2% enquanto, entre os brancos, é de 7,5%.
Os participantes da marcha também vão pedir a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, projeto de lei que está em tramitação no Congresso Nacional. No dia da marcha, os organizadores querem ser recebidos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelos presidentes da Câmara, Aldo Rebelo (PcdoB-SP), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).
Outros pontos da pauta são a regularização fundiária das terras das comunidades quilombolas; a garantia dos direitos da juventude e das mulheres negras; o respeito às religiões de matriz africana; a valorização da diversidade cultural; e a implantação da legislação que prevê a inclusão de história e cultura afro-brasileira no currículo oficial da rede de ensino.
A concentração da marcha está marcada para as 9h em frente à Catedral, na Esplanada dos Ministérios. Os participantes farão caminhada pela esplanada e colocarão no gramado 300 cruzes para simbolizar o que chamam de genocídio do povo negro. A partir das 13h, terá início à programação cultural com apresentação de grupos artísticos. (com informações da Fenajufe e da Agência Brasil)

 

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