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Marcha contra racismo
deverá reunir 20 mil militantes nesta quarta
Brasília deverá
receber nesta quarta-feira, 16, cerca de 20 mil
militantes do movimento negro que participarão
da Marcha Zumbi +10 contra o Racismo, pela Cidadania
e pela Vida. A mobilização, que
marca os 310 anos do assassinato de Zumbi, líder
do Quilombo dos Palmares, em Pernambuco, durante
a escravatura, reivindica avanços nas políticas
de superação da desigualdade racial.
Por que uma população vai
à rua clamar pelo direito à vida?
Em função da extrema violência
a que está submetida essa população.
Por exemplo, entre 12 e 19 anos, são 14
mil homicídios por ano no Brasil, por dados
da Unesco [Organização das Nações
Unidas para Educação, Ciência
e Cultura]. A maioria são jovens negros,
disse o representante da coordenação
do evento e editor do jornal Ìrohìn,
Edson Cardoso.
Segundo Cardoso, a reivindicação
principal da marcha é que o governo reconheça,
em todas as suas iniciativas, a necessidade de
adotar ações de reparação
das injustiças históricas cometidas
contra a população negra. Achamos
que as políticas poderiam tomar como parâmetro
à superação das desigualdades
raciais. Assim como existe um relatório
de impacto ambiental, nós poderíamos
criar uma espécie de relatório de
impacto sobre as desigualdades raciais,
propôs.
O movimento apóia suas reivindicações
nas estatísticas conhecidas há anos
sobre a desigualdade entre brancos e negros. São
diferenças de renda, acesso ao mercado
de trabalho, educação, saúde,
saneamento. O mais recente Atlas Racial Brasileiro,
elaborado pelo Programa das Nações
Unidades para o Desenvolvimento (PNUD) e pela
Universidade Federal de Minas Gerais revelou que
65% dos pobres e 70% das pessoas que viviam na
indigência no país em 2004 eram negros.
Segundo dados do Ministério da Educação,
a taxa de analfabetismo entre os negros é
de 17,2% enquanto, entre os brancos, é
de 7,5%.
Os participantes da marcha também vão
pedir a aprovação do Estatuto da
Igualdade Racial, projeto de lei que está
em tramitação no Congresso Nacional.
No dia da marcha, os organizadores querem ser
recebidos pelo presidente Luiz Inácio Lula
da Silva e pelos presidentes da Câmara,
Aldo Rebelo (PcdoB-SP), e do Senado, Renan Calheiros
(PMDB-AL).
Outros pontos da pauta são a regularização
fundiária das terras das comunidades quilombolas;
a garantia dos direitos da juventude e das mulheres
negras; o respeito às religiões
de matriz africana; a valorização
da diversidade cultural; e a implantação
da legislação que prevê a
inclusão de história e cultura afro-brasileira
no currículo oficial da rede de ensino.
A concentração da marcha está
marcada para as 9h em frente à Catedral,
na Esplanada dos Ministérios. Os participantes
farão caminhada pela esplanada e colocarão
no gramado 300 cruzes para simbolizar o que chamam
de genocídio do povo negro. A partir das
13h, terá início à programação
cultural com apresentação de grupos
artísticos. (com informações
da Fenajufe e da Agência Brasil)
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