Nº 274-2
25 de junho de 2003 - 18h30min


Criada hoje Comissão de Acompanhamento da Reforma da Previdência
Hoje à tarde, aconteceu a reunião de apresentação da Comissão de Acompanhamento da Reforma da Previdência dentro do Congresso. Os representantes da Fenajufe na comissão serão os diretores Cláudio Azevedo e Roberto Policarpo. Também haverá representantes das demais entidades da Cnesf, da CNTE e de outras categorias de SPFs. Líderes do governo, lideranças partidárias, os presidentes da Câmara e da Comissão Especial serão os outros integrantes da comissão, que poderá ainda contar com representantes do Executivo.
A reunião de instalação será dia 1º de julho. Foi elaborado calendário de atividades e uma linha de atuação para discutir todos os pontos da reforma.

Luiz Marinho diz que a CUT não vai apoiar greve
O presidente da CUT, Luiz Marinho, disse hoje que a entidade não apoiará greves contra o projeto da Reforma da Previdência. A CUT, segundo Marinho, terá respeito e será solidária aos movimentos divergentes, mas se manterá neutra na questão, apostando na negociação com os parlamentares. Luiz Marinho esteve reunido no final desta manhã com o presidente da Câmara, João Paulo Cunha.
Marinho veio acompanhado de um grupo de representantes de associações e federações, que tem posições divergentes. Alguns querem a retirada da PEC 40/03 e acenam com uma possibilidade de greve. Para o presidente da CUT, a maneira mais correta de beneficiar o funcionalismo é negociar e tentar intervir no conteúdo da Reforma da Previdência. Ele ressaltou a importância da abertura desse canal de negociação com o Legislativo, e destacou que existe um sentimento na sociedade e na maioria da bancada governista de apoio às reformas. "Não podemos simplesmente ter uma bandeira contrária às reformas, e essa é a posição da CUT".
A comissão dos representantes de associações e federações reúne-se novamente no dia 1º de julho para selecionar temas que a comissão pretende alterar na Reforma Previdenciária. No dia 3 está marcada outra reunião, desta vez da comissão com os líderes partidários para discutir a possibilidade de negociar os tópicos elencados. (Fonte: Agência Câmara)

Erros estratégicos
O governo está a incorrer em erros primários na condução das mudanças. De uma só passada, afronta com uma reforma previdenciária surreal a parcela mais esclarecida de sua base política: os intelectuais, a universidade e os servidores públicos. Como se não bastasse, decepciona a ''peãozada'' petista com a adesão inopinada a postulados monetaristas e neoliberais. A desculpa consiste em dizer que agora é governo. Em português claro, é como se dissesse ao seu eleitorado que mentiu o tempo todo, até encontrar-se com a verdade nos gabinetes do poder, que já empregam mulheres de várias autoridades (nepotismo). Penso que a macroeconomia não oferece muitas opções, mas o PT exagerou nas doses. Resta saber se depois haverá crescimento.
É compreensível a perplexidade e a inconformidade de alguns militantes, até em aspectos éticos: a sobrevida de ACM, a aliança com Sarney. Os servidores públicos sabem, por exemplo, que a arrecadação total da seguridade é de R$ 177,3 bilhões, e as despesas com o FAT, o SUS, a correção do FGTS, o fundo da pobreza, todas as ações de assistência social e o pagamento das aposentadorias do regime geral e dos servidores civis e militares é de apenas R$ 155 bilhões.
O superávit da seguridade (saúde, assistência e previdência social) é de R$ 22,2 bilhões. Essa gente não se deixa enganar e possui um grande poder de mobilização política. É tolice convencer os incautos (o resto da nação), sabendo-se que as vítimas conhecem a verdade. Eles lutarão até o fim. Fiscais, a Polícia Federal, a Receita, a universidade têm poder suficiente para parar o país, se forem vencidos na etapa congressual. Depois irão também ao Judiciário, em vários pontos aliado das vítimas da apregoada reforma da previdência.
O Poder Judiciário e suas prerrogativas. Eis o maior erro do governo. Embora 90% das causas que abarrotam o Judiciário federal e os tribunais superiores sejam demandas da União, de suas autarquias, dos estados e do INSS, os estrategistas do Planalto pensaram, com esforço nos vencimentos altos e na morosidade da Justiça, que os juízes estavam mortos. Uma ova! Um poder que tem, por força da Constituição, o condão de declarar inconstitucionais até as emendas votadas pelo Congresso e a aptidão de julgar nulo de pleno direito um ato ou medida provisória do presidente da República, juridicamente é árbitro do processo das reformas, muito mais que os militares, despidos hoje do poder de outrora...
Pois bem: ou o governo compreende o Judiciário ou perderá, no essencial, as suas reformas. O argumento da irredutibilidade, em princípio, é aplicável ao servidor. Por imprudência tática, o governo meteu-se numa enrascada. O rápido ato político do novo presidente do Supremo, reunindo à sua volta o Poder Judiciário da União e dos estados para defender a aposentadoria integral, o teto, os subtetos e a paridade entre os da ativa e da inatividade tem o verdadeiro sentido de um xeque-mate. Só não vê quem não sabe das coisas. Está na hora, por exemplo, de ensinar a alguns ministros do Executivo que o Judiciário não é segmento, é poder, sobretudo autônomo e independente, por força de ditame constitucional imune a qualquer emenda como se queira fazer na Constituição, a menos que haja uma revolução armada e se crie uma nova Carta política.
O Poder do Judiciário decorre dessa cláusula pétrea: ''São poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário'' (art. 2º da Constituição Federal). O ministro Maurício Corrêa está coberto de razão constitucional. Dispõe a superlei que os juízes são vitalícios, inamovíveis e irredutíveis em seus vencimentos e proventos. Todos os países do mundo civilizado respeitam essas prerrogativas. O Brasil de Berzoini não? Respeitará! Por bem ou por mal! (Artigo escrito pelo professor titular de direito tributário da UFMG Sacha Calmon, publicado no Correio Braziliense


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