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BRASIL
Câmara cria CPI sobre privatizações
feitas desde 1990
O presidente da Câmara,
Aldo Rebelo (PCdoB-SP), assinou nessa segunda-feira,
16/1, a criação da Comissão
Parlamentar de Inquérito (CPI) das Privatizações,
que vai investigar a venda de estatais de 1990
a 2002, incluindo os dois mandatos do presidente
Fernando Henrique Cardoso. A comissão foi
criada a partir de requerimento do deputado José
Divino (PMR-RJ).
Rebelo negou motivação política
para a criação da CPI em um ano
eleitoral. Segundo o deputado, a comissão
foi criada pela ordem de chegada do pedido, apresentado
em agosto de 2003. "As CPIs obedecem ao critério
da ordem de apresentação dos requerimentos.
A presidência delibera conforme essa ordem,
sem analisar qual CPI é mais fácil
ou difícil de ser digerida." Ele lembrou
que a Câmara, segundo o Regimento Interno,
comporta os trabalhos de até cinco CPIs
ao mesmo tempo.
José Divino justificou a necessidade de
investigar o Programa Nacional de Desestatização
(PND), operado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES), pela falta de
transparência com que o governo federal
vendeu diversas empresas públicas. De acordo
com o parlamentar, o Estado cometeu um crime ao
vender empresas "a preço de banana",
aceitando papéis podres da dívida
pública como parte do pagamento, o que
causou prejuízos à economia nacional.
A CPI das Privatizações contará
com 23 titulares e 23 suplentes, que têm
de ser indicados pelos líderes partidários
em até 48 horas. A instalação
ocorrerá somente depois da indicação
dos integrantes, com a eleição do
presidente e vice-presidente, além da escolha
do relator.
O líder da minoria, José Carlos
Aleluia (PFL-BA), disse que o partido não
teme a CPI das Privatizações. Ele
disse que! a comissão tem inspiração
revanchista e que nada vai tirar o foco da corrupção
no governo Lula.
O ex-líder do PSDB Custódio Matos
disse que o partido também não teme
a CPI, mas avalia que a comissão poderá
afastar os investidores. "Não há
nenhuma razão para nós temermos,
salvo pelo interesse nacional." Matos aposta
que não haverá clima para a criação
da nova CPI. (Agência Câmara)
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