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Presença de bancos estrangeiros
aumenta
A participação
de bancos estrangeiros no mercado financeiro nacional
disparou nos últimos anos, com a abertura
do setor ao capital internacional e a política
de liquidação dos principais bancos
estaduais do país. Até 1990, de
acordo com relatório anual do Banco de
Compensações Internacionais (BIS),
as instituições estrangeiras detinham
apenas 6% do total de ativos bancários
no Brasil. Sua fatia cresceu quatro vezes e meia
até 2004, saltando para 27%, num total
de 107 bilhões de dólares - o equivalente
a 18% de todas as riquezas produzidas pelo país
(Produto Interno Bruto - PIB) naquele ano. Com
sede em Basiléia, na Suíça,
o BIS funciona como uma espécie de "banco
central dos bancos centrais" do mundo. A
instituição define padrões
para examinar a saúde financeira dos bancos
ao redor do planeta e estabelece normas de segurança
para as operações de instituições
financeiras, de forma a preservar depositantes
e clientes. Os ativos de um banco (ou empresa)
englobam desde prédios, terrenos e outros
imóveis, até ações,
títulos e dinheiro vivo de sua propriedade.
Governos ajudam
No Brasil, o avanço dos banqueiros internacionais
tem sido facilitado por uma mudança adotada
no governo Fernando Henrique Cardoso, e mantida
pelo atual: a entrada de bancos internacionais
passou a ser autorizada por um simples decreto
presidencial, sem consulta ao Congresso ou à
sociedade. Mas a chegada desses bancos não
precisa significar, necessariamente, investimentos
em redes de agência ou a criação
de novas riquezas, via aumento da oferta de créditos
para financiar o crescimento da economia, por
exemplo.
Como regra, informa o BIS, os estrangeiros têm
escolhido a compra de bancos existentes (como
no caso do espanhol Santander, que comprou o Banespa).
Na maioria das vezes, os investimentos são
substituídos pelo fechamento de agências
e demissão de pessoal.
Desde os anos 1990, diz o relatório do
BIS, os investimentos de bancos estrangeiros em
mercados "emergentes" vem sendo estimulados
pela possibilidade de obter lucros cada vez maiores
naqueles mercados. No caso brasileiro, os estímulos
são particularmente atraentes, face à
política de juros altos, que tem gerado
lucros recordes para os estabelecimentos bancários.
Assim, os investimentos de bancos estrangeiros
na compra de instituições financeiras
nos países "emergentes", Brasil
incluído, cresceram 27 vezes desde o período
1991-1995 até 2001-outubro de 2005, saltando
de 2,5 bilhões de dólares para 67,5
bilhões de dólares, depois de atingir
51,5 bilhões de dólares de 1996
a 2000. Aqueles recursos, que representavam 13%
dos investimentos totais realizados pelo setor
financeiro entre 1991 e 1995, passaram a 28% entre
1996 e 2000, e subiram para 35% de 2001 a outubro
de 2005.
Dependência
Festejado pelos defensores intransigentes do livre
fluxo de capitais, esse tipo de investimento,
de acordo com o próprio BIS, carrega dois
inconvenientes (ou "desafios", para
ser fiel ao relatório): deixa a economia
local mais exposta aos riscos de crise e às
mudanças nas condições do
mercado internacional; e transfere o centro de
decisões para as matrizes dos bancos estrangeiros.
Este segundo "desafio" significa que
os governos locais - e o brasileiro não
foge à regra - perdem independência
para tomar decisões relativas ao setor
financeiro. Tais decisões, explica o BIS,
podem incluir até mesmo a saída
do país inicialmente escolhido pelo dono
da instituição estrangeira, que
simplesmente leva embora os recursos aplicados.
(Fonte: Brasil de Fato)
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