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PRA FINALIZAR
EUA construirão muro de mais de mil quilômetros
na fronteira com o México
A Câmara dos Deputados
estadunidense aprovou, no dia 16 de dezembro de
2005, o projeto de lei de controle fronteiriço
considerado pelos críticos como o mais
"atroz" dos tempos recentes. As medidas
ratificadas criminalizam os 11 milhões
de indocumentados (como são chamados os
migrantes ilegais) que residem nos Estados Unidos.
Será construído ainda um muro de
mais de mil quilômetros na fronteira com
o México. Foi descartada qualquer hipótese
de regularizar a permanência dos trabalhadores
em solo estadunidense. A Casa Branca expressou
apoio à medida, apesar da intensa oposição
da Câmara do Comércio, da Igreja
Católica e de agrupações
nacionais e organizações de direitos
humanos. A proposta precisa ainda ser aprovada
pelo Senado, que a discutirá no início
de 2006. Os críticos têm a esperança
de obter, nessa instância, algum acordo
sobre um programa de trabalhadores temporários.
No entanto, se não houver consenso e permanecer
a polêmica sobre a medida, prevê-se
que a discussão seja prorrogada para depois
das eleições presidenciais, em novembro.
O próprio Partido Republicano está
dividido. Há políticos mais moderados
que defendem uma regularização temporária
para os trabalhadores migrantes e os ultraconservadores
que desejam medidas ainda mais duras contra os
indocumentados. Mesmo assim, os grupos antiimigrantes
mostraram força e aprovaram o projeto de
lei na Câmara por 239 votos a 182.
O projeto considera que estar nos Estados Unidos
ilegalmente é um "delito" em
vez da atual qualificação de "violação
civil", mais amena. Aprovou-se também
que serão construídos muros onde
houver o maior índice de entrada de migrantes
na fronteira com o México. Serão
duas paredes elevadas, divididas por uma imensa
vala, com câmeras, iluminação
e sensores. Se o projeto for aprovado pelo Senado
da forma atual, os empresários terão
também a obrigação de verificar
o status legal de todos os seus trabalhadores
por meio do banco de dados do Seguro Social e
do Departamento de Segurança Interna. Também
será negada a nacionalidade estadunidense
aos filhos de mexicanos que nascerem nos Estados
Unidos. Os deputados propuseram ainda uma emenda
que permite às forças de segurança
pública atuarem como agentes de migração.
As medidas, no entanto, não parecem contar
com aval da população. Uma pesquisa
feita pela rede de televisão ABC e pelo
diário The Washington Post mostrou que
58% dos estadunidenses desaprovam o projeto de
reforma migratória, que conta com apoio
de Bush para recrudescer a segurança fronteiriça
e o controle dos indocumentados. No México,
o presidente Vicente Fox - aliado inconteste de
Bush nas questões hemisféricas -
analisou que a aprovação das medidas
é um "sinal de confiança"
de que em 2006 poderá ser negociado um
acordo migratório com os Estados Unidos.
A postura tímida do mexicano gerou críticas
internas. O presidente da Comissão Nacional
de Direitos Humanos (CNDH), José Luis Soberanes
Fernández, cobrou uma posição
mais firme de Fox. "Mais que palavras, ele
deve recorrer ao protesto diplomático e
à denúncia internacional",
opinou. Para Fernández, é preferível
um governo que confronte os Estados Unidos em
vez de um que adote a complacência com suas
arbitrariedades. "Como país, fomos
humilhados e as medidas aprovadas vão nos
prejudicar". Segundo o presidente da CNDH,
a migração é um fenômeno
econômico para o qual se deve buscar outras
saídas que não seja a criminalização,
como fazem os Estados Unidos e o próprio
México em relação aos centro-americanos.
(Brasil de Fato com informações
da La Jornada, www.jornada.unam.mx, e Prensa Latina
www.prensa-latina.com)
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