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BRASIL
Cientistas políticos
estimam renovação de 70% do Congresso
A renovação
no Congresso Nacional após as eleições
de outubro pode chegar a 70%. A análise
é de cientistas políticos consultados
pelo jornal Diário do Grande ABC. Esse
reflexo da crise política que começou
em maio do ano passado seria similar ao registrado
depois Dos escândalos e do impeachment de
Fernando Collor de Mello, em 1992. De acordo com
o cientista político Rui Tavares Maluf,
a preocupação está na maneira
como essa renovação no Congresso
ocorrerá. A desilusão do eleitor
após os escândalos políticos
do último ano pode gerar um desinteresse
pelas eleições que definirão
esta nova dança das cadeiras, principalmente
na composição dos legislativos.
"Temo que não ocorra uma renovação
naquilo que há de pior no Congresso Nacional",
explica Maluf. Ele diz que a reformulação
não pode ser apenas numérica, mas
qualitativa.
Nas eleições
do Executivo nacional, os cientistas políticos
concordam que o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva permanece com um nível razoável
de popularidade e, dependendo das alianças
feitas durante o ano, pode chegar com chances
às urnas. Para Antônio Augusto de
Queiroz, diretor de Documentação
do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar
(Diap), Lula ainda é um forte candidato
"e, levando em conta a situação
neste momento, já é um dos nomes
do segundo turno", acredita. De acordo com
o pesquisador, o resultado final da eleição
é imprevisível agora, bem como dizer
quem será o candidato tucano, o governador
Geraldo Alckmin ou o prefeito José Serra.
O sociólogo Oswaldo
Amaral aponta José Serra como o mais provável
presidenciável dos tucanos. Apesar de colocar
Lula na corrida à reeleição,
ele acha que o PSDB larga em vantagem. "A
não ser que aconteça uma reviravolta,
o PT deve ter um refluxo do ponto de vista de
votos. Não vai crescer na Câmara
dos Deputados, ao contrário de PSDB, PMDB
e até mesmo PFL", afirma.
O cientista Rui Tavares Maluf
espera um amadurecimento por parte do eleitor.
"Quem sabe para o conjunto do eleitor brasileiro,
possa servir como uma eleição que
você não tem o salvador da pátria
nem o diabo. Vamos ficar mais atentos às
propostas, comparar o atual governo com aqueles
que fazem oposição. Quem sabe é
possível pensar numa eleição
mais madura por parte do eleitor", diz ele.
Para Queiroz, que há
15 anos acompanha o Congresso Nacional, qualquer
que seja o presidente eleito este ano, ele irá
enfrentar problemas de governabilidade, pelo menos
no início de seu mandato, em 2007. O motivo
seria a renovação prevista de 70%
dos parlamentares. Isso irá comprometer
também a votação de reformas
importantes, como a tributária e a política,
além do Fundo Nacional de Desenvolvimento
de Ensino Básico. De acordo com Queiroz,
a eleição após a atual crise
política trará uma forte renovação
do parlamento e mais da metade dos deputados e
senadores não deve se reeleger. Dessa forma,
o futuro presidente terá muita dificuldade
para formar sua base de sustentação
no Congresso.
A oposição na
próxima legislatura, segundo o estudioso
do Diap, tanto se for liderada pelo PT quanto
pelo PSDB, ganhará um poder maior de veto
para as iniciativas do futuro governo. "Os
candidatos a presidente não terão
condições de costurar um acordo
político neste ano, quando as preocupações
estarão voltadas para a prioridade de vencer
a eleição", diz. De acordo
com sua análise, esse acordo após
as eleições já pode ser prejudicado
por práticas como o fisiologismo.
Além de contar com
minoria no Congresso, seja qual for o candidato,
neste ano ainda haverá a cobrança
para a aprovação de medidas importantes,
como as reformas políticas e outros projetos
que dificilmente entrarão em votação
até abril. "A partir de maio, começa
a campanha eleitoral e as decisões importantes
devem ficar para 2007", analisa. Esse será
mais um ponto de pressão para o futuro
governo e outra dependência em relação
à oposição. (com informações
do Diário Vermelho)
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