Nº 826
9 de janeiro de 2006 - 12h


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BRASIL

Cientistas políticos estimam renovação de 70% do Congresso

A renovação no Congresso Nacional após as eleições de outubro pode chegar a 70%. A análise é de cientistas políticos consultados pelo jornal Diário do Grande ABC. Esse reflexo da crise política que começou em maio do ano passado seria similar ao registrado depois Dos escândalos e do impeachment de Fernando Collor de Mello, em 1992. De acordo com o cientista político Rui Tavares Maluf, a preocupação está na maneira como essa renovação no Congresso ocorrerá. A desilusão do eleitor após os escândalos políticos do último ano pode gerar um desinteresse pelas eleições que definirão esta nova dança das cadeiras, principalmente na composição dos legislativos. "Temo que não ocorra uma renovação naquilo que há de pior no Congresso Nacional", explica Maluf. Ele diz que a reformulação não pode ser apenas numérica, mas qualitativa.

Nas eleições do Executivo nacional, os cientistas políticos concordam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva permanece com um nível razoável de popularidade e, dependendo das alianças feitas durante o ano, pode chegar com chances às urnas. Para Antônio Augusto de Queiroz, diretor de Documentação do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Lula ainda é um forte candidato "e, levando em conta a situação neste momento, já é um dos nomes do segundo turno", acredita. De acordo com o pesquisador, o resultado final da eleição é imprevisível agora, bem como dizer quem será o candidato tucano, o governador Geraldo Alckmin ou o prefeito José Serra.

O sociólogo Oswaldo Amaral aponta José Serra como o mais provável presidenciável dos tucanos. Apesar de colocar Lula na corrida à reeleição, ele acha que o PSDB larga em vantagem. "A não ser que aconteça uma reviravolta, o PT deve ter um refluxo do ponto de vista de votos. Não vai crescer na Câmara dos Deputados, ao contrário de PSDB, PMDB e até mesmo PFL", afirma.

O cientista Rui Tavares Maluf espera um amadurecimento por parte do eleitor. "Quem sabe para o conjunto do eleitor brasileiro, possa servir como uma eleição que você não tem o salvador da pátria nem o diabo. Vamos ficar mais atentos às propostas, comparar o atual governo com aqueles que fazem oposição. Quem sabe é possível pensar numa eleição mais madura por parte do eleitor", diz ele.

Para Queiroz, que há 15 anos acompanha o Congresso Nacional, qualquer que seja o presidente eleito este ano, ele irá enfrentar problemas de governabilidade, pelo menos no início de seu mandato, em 2007. O motivo seria a renovação prevista de 70% dos parlamentares. Isso irá comprometer também a votação de reformas importantes, como a tributária e a política, além do Fundo Nacional de Desenvolvimento de Ensino Básico. De acordo com Queiroz, a eleição após a atual crise política trará uma forte renovação do parlamento e mais da metade dos deputados e senadores não deve se reeleger. Dessa forma, o futuro presidente terá muita dificuldade para formar sua base de sustentação no Congresso.

A oposição na próxima legislatura, segundo o estudioso do Diap, tanto se for liderada pelo PT quanto pelo PSDB, ganhará um poder maior de veto para as iniciativas do futuro governo. "Os candidatos a presidente não terão condições de costurar um acordo político neste ano, quando as preocupações estarão voltadas para a prioridade de vencer a eleição", diz. De acordo com sua análise, esse acordo após as eleições já pode ser prejudicado por práticas como o fisiologismo.

Além de contar com minoria no Congresso, seja qual for o candidato, neste ano ainda haverá a cobrança para a aprovação de medidas importantes, como as reformas políticas e outros projetos que dificilmente entrarão em votação até abril. "A partir de maio, começa a campanha eleitoral e as decisões importantes devem ficar para 2007", analisa. Esse será mais um ponto de pressão para o futuro governo e outra dependência em relação à oposição. (com informações do Diário Vermelho)

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