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Ofício
SSRT nº 007/2005
Porto Alegre, 11 de maio de
2005
Excelentíssimo Corregedor:
O Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário
Federal no Rio Grande do Sul - SINTRAJUFE/RS,
preocupado com a atual precarização
das condições de trabalho no Primeiro
Grau da Justiça do Trabalho no Rio Grande
do Sul, gostaria de relatar e discutir com esta
Corregedoria alguns fatores que consideramos serem
determinantes para o seu agravo.
Em primeiro lugar, gostaríamos
de ressaltar que, a partir do ano de 2000, com
a implantação do rito sumaríssimo
na Justiça do Trabalho, houve uma alteração
no processo de trabalho dos servidores. Mesmo
que não tenhamos um substancial aumento
no número de processos ajuizados, houve
uma aceleração no rito processual
que se reflete no trabalho desenvolvido nas secretarias
das varas e nas salas de audiência.
O acúmulo de trabalho
que já existia anteriormente agravou-se
a partir daí. Analisando a lotação
nas varas trabalhistas, vemos que não houve
alteração no número de servidores
para suprir essa demanda.
Em pesquisa sobre saúde
que realizamos em 2002, pudemos observar que é
grande o número de servidores acometidos
por doenças relacionadas ao trabalho no
Judiciário Federal e, em especial, na Justiça
do Trabalho. Se analisarmos os dados que já
tínhamos de pesquisa anterior, realizada
em 1997, vemos que aumentou a incidência
dessas doenças entre os servidores. As
duas pesquisas nos demonstraram que não
só as doenças osteomusculares aumentaram,
mas também a incidência de transtornos
mentais.
A grande procura de secretários
de audiência junto à Secretaria de
Saúde do Sindicato, preocupados com as
suas condições de trabalho, levou-nos
a reunir com esses servidores e, após várias
discussões, realizamos, no final de 2004,
pesquisa com esse setor da categoria.
A pesquisa demonstra que as condições
de trabalho dos secretários agravaram-se
com a implantação da pauta dupla.
Em Porto Alegre, no ano passado, 95% das varas
tiveram períodos de pauta dupla. Muitos
secretários não possuem substitutos
(45% em Porto Alegre e 59% no interior) e acabam
secretariando todas as audiências, que são
realizadas por dois juízes alternadamente.
Além disso, realizam todas as outras tarefas
da função, muitas vezes cumprindo
uma jornada de trabalho extenuante, inclusive
sem pausas para alimentação (35%
na capital e 30% no interior). As varas que viabilizam
substituição para os secretários
sobrecarregam a secretaria, que, em tempos de
pauta dupla, tem sua movimentação
alterada.
Vimos pelos resultados que
muitos secretários de audiência (em
torno de 35% em Porto Alegre e 52% no interior)
afirmaram estar em tratamento médico, mas
poucos (10% na capital e 18,% no interior) tiraram
licença para tratar-se. Isso demonstra
que muitos trabalham com dor, pois sabem que não
existem outros servidores para substituí-los.
A falta de substitutos para os secretários
normalmente é por dois motivos. Um é
a falta de gratificação para quem
substitui e o outro é o número reduzido
de servidores nas secretarias das varas, agravado
pelo crescente número de servidores que
tiram licença para tratamento de saúde
em virtude de doenças relacionadas ao trabalho,
principalmente LER/Dort. De outra parte, as condições
de trabalho impostas pela pauta dupla, têm
gerado falta de interesse de mais colegas em aprender
o trabalho do secretário de audiência,
não raro chegando ao sindicato relatos
de pessoas que são designadas contra a
vontade para a função, por falta
de candidatos.
Outro fator que contribui
para a precarização das condições
de trabalho no primeiro grau foi quando da realização
dos mutirões na segunda instância
para eliminação do resíduo
de processos. Nesse período, muitos servidores
do primeiro grau migraram para a segunda instância
em função do mutirão e lá
permaneceram. Para isso contribuiu a política
diferenciada de gratificações entre
o primeiro e o segundo grau.
Queremos deixar claro que
o Sindicato não está trazendo posição
contrária a pauta dupla; porém,
com a atual estrutura do primeiro grau, estamos
observando um agravamento nas condições
de trabalho e saúde dos servidores. Sabemos
que a melhor solução será
o aumento do quadro funcional do primeiro grau,
mas como esse é um processo mais lento,
gostaríamos de discutir com a Corregedoria
critérios para a implantação
da pauta dupla. Nesse sentido, queremos propor
um canal permanente de discussão envolvendo
os setores que participam ativamente do processo
da pauta dupla para buscar, conjuntamente, soluções
que sejam adequadas à realidade estrutural
e de pessoal com as metas definidas pelo Tribunal.
Atenciosamente,
Mara Rejane Weber
Coordenadora da Secretaria de Saúde e
Relações de Trabalho
Ao
Excelentíssimo Senhor
Pedro Luiz Serafini
M.D. Juiz Corregedor do Eg. TRT da 4ª Região
N/C
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