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Déficit nominal
zero: o que significa isso?
Por Antônio Augusto de Queiroz*
15/07/05
O déficit nominal
zero, que o deputado Delfim Netto [PP/SP]
propõe como , a equipe econômica
já adota como objetivo. Ou seja,
ambos defendem a mesma coisa, só
que com táticas diferentes. Para
Palocci e sua equipe, o superávit
primário é a e o déficit
zero o objetivo, mediante seu aumento gradual.
Já Delfim quer queimar etapa e radicalizar
no corte de gastos. Se antes o superávit
era alcançado pelo aumento da receita,
a tática do Governo agora é
reduzir o gasto público, com corte
de direitos e choque de gestão.
A diferencia conceitual
entre o superávit primário
e o déficit nominal zero é
sutil. O primeiro representa a diferença
positiva [saldo] entre receita e despesa,
menos gastos com juros das dívidas
interna e externa. Ou seja, o dinheiro que
sobra vai para pagamento de juros das dívidas,
mas não é suficiente para
pagar tudo, sendo a diferença transferida
para o principal das dívidas. O segundo
pressupõe economizar o suficiente
para pagar todas as despesas do Governo,
inclusive com juros.
O ministro Palocci é
contra o déficit nominal zero, mas
é ardoroso defensor do aumento do
superávit primário, a partir
da redução da despesa, dentro
do plano de choque de gestão.
O ministro, nesse particular, tem razão.
Segundo especialistas, o déficit
nominal zero exigiria uma economia, depois
de pagas todas as despesas do Governo, de
algo como 10% do PIB, que seria o valor
suficiente para pagar os juros das dívidas
interna e externa.
Para alcançar
o déficit nominal zero, o Governo
teria que tomar uma série de medidas,
politicamente inviáveis, como: i]
desvincular benefícios previdenciários
do salário mínimo; ii] aumentar
a contribuição previdenciária,
inclusive dos inativos; iii] elevar o limite
de idade para efeito de aposentadoria, tanto
no INSS como nos regimes próprios,
inclusive com eliminação de
diferença de idade entre homens e
mulheres e entre trabalhadores urbanos e
rurais; iv] fazer nova reforma administrativa,
com corte de direitos, de cargos, congelamento
salarial e redução de vantagens;
v] aumento da DRU Desvinculação
de Receitas da União, de 20% para
algo como 40% , entre outras medidas de
arrocho.
O fato de o ministro
Palocci ser contra o déficit nominal
zero de imediato não é nenhum
alento, exatamente porque ele quer o aumento
do superávit primário, de
4,25% para algo como 5% do PIB, o que permitiria
chegar ao déficit nominal zero em
quatro anos. E, muito provavelmente, fará
isso. Depois da saída dos ministros
José Dirceu, Ricardo Berzoini e Tarso
Genro, que defendiam redução
das taxas de juros e ampliação
dos investimentos, inclusive na área
social, a equipe econômica passou
a reinar absoluta no Governo.
As duas idéias
em debate aumento do superávit
ou adoção do déficit
nominal zero servem apenas para aprofundar
o ajuste fiscal. A atual política
econômica trava o desenvolvimento,
do ponto de vista econômico, e é
excludente, do ponto de vista social. A
prova é que o crescimento econômico
no Brasil está abaixo da média
mundial Lamentavelmente, essa política
suicida poderá ser radicalizada com
o eventual aumento da crise política,
fato que demonstra que o Governo, em grande
medida, é refém do mercado.
Que a sociedade organizada reaja a essa
insanidade.
*Antônio Augusto
de Queiroz é jornalista, analista
político e Diretor de Documentação
do DIAP [Departamento Intersindical de Assessoria
Parlamentar] e atual assessor parlamentar
da Fenajufe.
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