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Nossas
lutas de ontem, de hoje, de sempre
Tempos difíceis. Tempos de crise.
Mas colocamos na rua mais um D&A, espaço
em que todos podem contribuir e, novamente, contamos
com o apoio de vários colegas que enviaram
seus textos. Neste ano, o Sintrajufe realizou
um Congresso Extraordinário, que ratificou
a decisão da categoria de permanecer filiada
à CUT. A Central é um dos temas
desta edição. Também estão
em pauta direitos reprodutivos femininos, com
a discussão sobre o aborto, e dos casais
homossexuais.
A crise política continua a nos assombrar
com seus desdobramentos diários. Muitas
denúncias. Pouca apuração
dos fatos.
Aos que sonham com um mundo guiado por princípios
que enalteçam a vida em detrimento da podridão
do modelo capitalista, resta esperar que os envolvidos
em corrupção sejam exemplarmente
punidos. Porém, precisamos avançar
ainda mais. Queremos campanhas políticas
que não sejam dominadas por marqueteiros.
Queremos políticos apresentando idéias
e não vendendo produtos. Mas, queremos,
sobretudo, que a população tenha
voz ativa no encaminhamento de seus projetos políticos.
Infelizmente, o governo Lula preferiu apostar
na frágil governabilidade perante o Congresso
em vez de se apoiar no forte apelo popular que
o elegeu. Deu no que deu.
O preço da governabilidade saiu alto demais.
Não podemos chegar ao inferno, entrar em
acordo com o diabo e ainda pretender passar-lhe
a perna. A força de um governo de base
popular consiste, precisamente, em não
abandonar suas origens.
Num momento como este, é necessário
não confundirmos os lutadores sociais com
quem vendeu seus ideais.
As nossas lutas por melhores condições
de trabalho devem servir de exemplo a todas as
categorias de trabalhadores. Hoje, a sociedade
começa a perceber a necessidade de um serviço
público de carreira independente.
Por tudo isso, devemos nos mobilizar fortemente
pela aprovação do PCS, que já
se encontra no Congresso. Um salário digno
e o estabelecimento de uma política salarial
justa são a base para uma prestação
digna do serviço.
Por isso lutamos.
PCS
está no Congresso:
agora é lutar pela aprovação
Na última
década os ganhos reais de salário
dos servidores do Judiciário federal sempre
estiveram vinculados à luta da categoria.
E é justamente na capacidade de mobilização
e de pressão que a categoria terá
de investir para assegurar mais uma vitória:
a aprovação do PL 5.845/05, o nosso
PCS. O somatório de luta, mobilização
e união dos servidores do Judiciário
Federal é que ditará as regras e
cenários que serão apresentados
no próximo período, em que estará
tramitando, em busca de aprovação
nas comissões no Congresso Nacional, o
projeto de revisão do PCS. Ele é
resultado de muita discussão dentro da
categoria, pressão sobre o STF negociações
entre representantes da categoria e dos tribunais
superiores em 2004. No encerramento da greve do
ano passado, que resultou no aumento da GAJ, ficou
acertado com o STF a continuidade da negociação
visando a atual reestruturação do
Plano.
O mesmo governo
Lula, que já causou enorme decepção
entre os servidores públicos por conta
de ataques a seus direitos, como na Reforma da
Previdência, já dá sinais
de que criará dificuldades para o andamento
do projeto. Em entrevista por telefone, o presidente
da Comissão do Trabalho, Administração
e Serviço Público e atual relator
do projeto, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN),
confirmou que emissários dos ministérios
ligados à área econômica o
teriam procurado e manifestado preocupação
com o impacto financeiro do projeto no orçamento
da União.
A indicação
de um relator para o projeto demorou mais de um
mês. Isso se deu, segundo Alves, porque
a matéria precisava ser estudada amplamente
pelos deputados e havia a preocupação
maior, que é o ajuste orçamentário
possível que possa permitir o aumento dos
servidores. Além disso, seis deputados
estavam na disputa pela relatoria. Mesmo
com este round vencido, a luta não termina
aqui, pois sabemos que teremos muitas dificuldades
temos pela frente.
O ponto nevrálgico
do debate é o impacto financeiro, de mais
R$ 4,5 bilhões. Não faltam argumentos
para desconstruir a velha desculpa utilizada para
negar recomposição salarial:
1) o Judiciário
é um órgão que arrecada valores
vultosos para a União;
2) o PL não
desrespeita a Lei de Responsabilidade Fiscal (a
despesa com pessoal do Judiciário Federal
permance abaixo do limite legal de 6% da receita
corrente líquida);
3) a revisão
que hoje se busca foi o acordada entre Fenajufe
e tribunais superiores em 2004.
No entanto, no
referente à discussão com os tribunais,
há uma diferença básica que
separa esta revisão do PCS da última,
feita em 2002. Naquele ano, o projeto dos servidores
tramitou conjuntamente com o que garantia incremento
remuneratório aos magistrados. Em 2005,
entretanto, o aumento para os juízes (retroativo
a janeiro) foi aprovado 30 dias antes; era, inclusive,
imposto como um dos requisitos do presidente do
STF, ministro Nelson Jobim, para que ocorresse
o envio do nosso PCS ao Congresso.
Outros percalços
que deverão se apresentar no cenário
e que, não havendo as imprescindíveis
mobilização e pressão da
categoria, serão utilizados como ingredientes
para retardar o andamento do processo são
a crise política, o recesso de final de
ano, o calendário eleitoral de 2006 e a
cobertura da mídia em relação
ao projeto. Quem não se lembra de uma das
manobras do governo FHC para colocar a opinião
pública contra a revisão do PCS
de 2002? Em maio de 2001, o príncipe dos
sociólogos plantou no jornal O Estado de
São Paulo uma matéria em que acusava
o ministro Carlos Velloso de engatar um
trem da alegria ao tentar encaminhar o PCS
à Câmara dos Deputados. Para o Estadão,
a proposta se tornaria um trem da alegria,
pois reajustaria os salários de toda a
categoria. A matéria tinha o objetivo de
causar constrangimentos, impedindo o envio do
anteprojeto à Câmara dos Deputados.
O mesmo expediente
está sendo utilizado agora pelo mesmo jornal
paulista. Em matérias publicadas nos dias
20 e 21/9, com direito a chamada em primeira página,
o Estadão trazia estampada a sua preocupação
com o a revisão do PCS. Na dança
de números e índices apresentada
pelo jornal, o maior aumento previsto no
projeto seria de 154%; R$ 15,6 mil por mês
seria o limite salarial de um analista judiciário;
R$ 10,4 mil a maior remuneração
de um auxiliar e R$ 15,8 bi o novo custo da folha
de salários em 2006, 41% a mais que os
R$ 11,2 bi anteriores. A matéria
não cita os técnicos, que são
a maior parte da categoria, e mostra muita desinformação
de forma proposital ou não ,
que somente cria mais obstáculos a serem
superados pela categoria.
Para ficar apenas
no caso do auxiliar judiciário, o Estadão
mais que duplicou o valor do salário, que
não passaria de R$ 3,7 mil no padrão
15, incluindo a GAJ de 50%. O jornal, sem explicar
também que os servidores, para chegar a
tal patamar na carreira, demoram 15 anos e passam
por avaliações anuais. E, para não
deixar dúvidas em relação
a sua preocupação, no
dia seguinte uma nova matéria trazia um
ministro do Planejamento impressionado
com o que será gasto para reestruturar
as carreiras dos servidores do Judiciário.
O texto destacava
que Paulo Bernardo, o titular da Pasta, considerou
um exagero os reajustes salariais de até
154% previstos no projeto (...) Se considerarmos
uma inflação que vai ficar este
ano na ordem de 5%, me parece um pouco exagerado,
teria dito o ministro. Para corroborar com um
ministro impressionado, o jornal também
trouxe a opinião do deputado Carlito
Merss (PT-SC). Ele, relator do orçamento
geral da União para 2006, disse estar estupefato
com os custos envolvidos.
Na verdade, surpresa
a categoria deveria ficar se a postura da mídia
não fosse essa. Já era esperado.
Nós temos é que definir uma estratégia
que informe a sociedade sobre a verdade dos fatos.
Daqui para a frente, esse tipo de postura deverá
se intensificar, pois a grande imprensa sempre
foi favorável ao Estado mínimo.
E nesse contexto é fundamental o desmantelamento
do serviço público, opina
Leonardo Torres, diretor do Sintrajufe.
Por isso a idéia
de que o envio do PCS ao Congresso em 31 de agosto
último foi somente a primeira vitória
de uma série que deverão ser conquistadas
nos próximos meses e que a luta não
será fácil ganha corpo junto à
categoria. Apesar de o projeto estar andando,
a categoria, por experiências de lutas anteriores,
sabe que sem a devida pressão e mobilização
de todos os servidores do Judiciário Federal,
a atual revisão do PCS corre o risco de
ficar parada.
E é por
isso que os colegas presentes na Ampliada da Fenajufe,
realizada em 3/9, em Brasília, defenderam
que a luta deve ser intensificada com o mote se
o PCS não andar, em outubro o Judiciário
vai parar. E não é para menos,
pois, diante da postura que o governo federal
vem adotando em relação às
negociações salariais com outras
categorias, tudo leva a crer que a revisão
do PCS será um dos maiores embates já
travados pela categoria. Em 1/10, uma nova
Ampliada foi realizada e ficou definido 19/10
como o Dia Nacional de Paralisação
de 24 horas em todo o país.
O projeto, que
tramita em caráter terminativo, ou seja,
o seu rito não prevê a necessidade
de ser levado a votação em plenário,
precisa ser examinado e aprovado em três
comissões na Câmara (Trabalho, de
Administração e de Serviço
Público; Finanças e Tributação;
e Constituição, Justiça e
Cidadania). Em seguida será enviado ao
Senado (em mais duas comissões) e, finalmente,
encaminhado para a sanção presidencial.
Esse é o caminho natural que somente será
percorrido se todos os servidores se unirem em
torno de mais essa luta e não ficarem apenas
esperando que os parlamentares presentes às
comissões atendam aos anseios e às
necessidades da categoria.
Histórico:
1992 - Em pleno
ano do processo de impeachment de Fernando Collor
de Mello, a categoria conquista o enquadramento
na tabela especial do Executivo, saindo da tabela
do PCC. Com isso os servidores do Judiciário
Federal têm seus vencimentos básicos
equiparados com os do Legislativo e do TCU, entre
outros. O RS foi o único estado a entrar
em greve, mais especificamente a JT, que também
tinha pauta específica. Nos demais setores,
houve paraliaçõse parciais. Ao final
de quase 30 dias de paralisação,
os servidores gaúchos conquistaram, entre
outros pontos, vale-transporte, indenização
de transporte para oficiais de justiça,
gratificação judiciária de
80% e correção do auxílio-alimentação.
Neste ponto, um episódio marcou: uma servidora
do interior enviou carta ao programa Jô
onze e meia, exibido pelo SBT. A servidora convidou
Jô Soares para um jantar, desde que fosse
possível pagar com o tíquete anexado
à carta. O valor hoje seria algo próximo
de R$ 1,00. Também marcante foi a entrevista
do então presidente do TRT, José
Prunis, a uma rádio local. Ele afirmava
que a greve era delírio do então
presidente do Sindjustra, o colega Alan. Para
mostrar o equívoco de Prunis, os grevistas
contrataram uma escola de samba e adentraram no
tribunal com o som ensurdecedor da bateria. Mostraram
a quem ainda tinha alguma dúvida que a
greve existia de fato. O Pleno do tribunal trocou
o negociador por Carlos Edmundo Blauth (então
vice-presidente do TRT) para concluir o processo
de negociação com a categoria.
1996 - Formulado
e discutido entre 1994 e 1995, o primeiro PCS
somente foi sancionado no ano seguinte e implementado
em quatro parcelas anuais a partir de janeiro
de 1997. Foi a primeira tabela específica
para servidores do Judiciário. No RS, os
servidores do Judiciário Federal paralisam
suas atividades por 17 dias. Foi a primeira greve
por tempo indeterminado na JF, garantida com grande
adesão, criatividade e disposição.
2000 - No ano
da primeira revisão do PCS, a greve da
categoria durou 18 dias, com o início em
maio. A discussão sobre a revisão
do PCS começa em agosto e se arrasta até
o final do ano, quando a comissão constituída
por tribunais superiores, CJF, TJDFT e representantes
dos servidores estabelece como meta apresentar
até abril de 2001 um anteprojeto ao Congresso.
A proposta, foi entregue ao diretor-geral do STF,
Miguel Fonseca, em 22/2/2001, para ser encaminhada
oficialmente aos tribunais. O então ministro
do TST Almir Pazzianotto se recusou a assinar
o anteprojeto, alegando não conhecer o
seu teor. Mas a administração do
TST havia integrado a comissão que discutira
o anteprojeto desde o ano anterior e não
havia hipótese de Pazzianotto não
o conhecer. Em setembro de 2001 é enviado
ao Congresso.
2002 - Desde
2000 a categoria reivindicava a revisão
do PCS. No Diário Oficial de 28/6/2002,
foi publicada a lei 10.475, que colocou em vigor
a revisão do PCS do Judiciário Federal,
com efeitos financeiros retroativos a 1º
de junho. A lei foi conquistada ao final de uma
greve de 49 dias em que, pela primeira vez, se
conseguiu envolver 22 estados. O Ministério
Público também conquistou o seu
PCS. No Rio Grande do Sul, a greve envolveu todos
os setores do Judiciário Federal; 46 municípios
aderiram. A vitória foi alcançada
no ano em que a Fenajufe completou 10 anos. O
PCS de 2002 foi apresentado na Câmara em
12/9/01. Em 24/10/01 o projeto foi aprovado pela
Comissão do Trabalho, Administração
e Serviço Público. Em 28/11/01,
foi aprovado por unanimidade pela Comissão
de Finanças e Tributação.
A Comissão de Constituição
e Justiça deu parecer favorável
em 29/11/01 e, em 19/6/02, foi o substitutivo
foi aprovado na Câmara. A aprovação
no Senado ocorreu em 20/6/02; a sanção
presidencial, em 27/6/02 e, em 28/6/02, foi publicado
no Diário Oficial.
2004 - O aumento
da GAJ em 2004 (a última parcela vem em
novembro) e a constituição da comissão
que elaborou as alterações no atual
projeto foram frutos da conquista da greve de
2004. O texto foi encaminhado ao Congresso Nacional
em 31 de agosto. O período entre o início
das discussões e o envio do projeto foi
de quase um ano. Diante da postura que o governo
federal vem adotando em relação
às negociações salariais
com outras categorias, tudo leva a crer que a
atual revisão do PCS será o maior
dos embates travados pela categoria nos últimos
anos.
Pontos
em destaque no projeto
Reenquadramento:
os servidores enquadrados no PCS de 1996, lei
9.421, que prestaram concurso antes de 26/12/96
e foram nomeados após essa data terão
os efeitos legais e financeiros desde o ingresso
no quadro de pessoal, o que beneficiará
os colegas de todas as justiças (art. 23).
Estágio
probatório: fica uniformizado em 24 meses,
direito que hoje só vigora na Justiça
Federal.
Cargo de auxiliar:
o art 2º do projeto versa sobre a carreira
judiciária constituída por cargos
de analista, técnico e auxiliar judiciário.
Com isso, evita-se a terceirização
das atividades básicas de apoio operacional.
Paridade aos
aposentados: é assegurado o sentido de
paridade no projeto: o disposto nesta lei
aplica-se aos aposentados e pensionistas,
diz o artigo 29, e também com a manutenção
dos atuais 15 padrões.
Adicional de
Qualificação (AQ) o artigo
15 cria o AQ aos servidores de carreira que tiverem
títulos de diploma, graduação
e pós-graduação. O adicional
não será concedido quando o curso
constituir requisito para ingresso no cargo. O
AQ está garantido aos aposentados conforme
o § 6º deste artigo, considerado no
cálculo dos proventos e das pensões,
sendo adquirido o título anterior a data
de inativação.
Reestruturação
da tabela salarial: é garantido incremento
na tabela salarial, prevendo um ganho em torno
de 40% no vencimento básico.
Gratificação
de Atividade Judiciária A GAJ, que
atualmente está equiparada ao MPU, terá
como paramento a gratificação do
Tribunal de Contas da União. Ela incidirá,
no percentual de 50%, sobre os vencimentos básicos
dos cargos da carreira judiciária.
Quadro único:
os servidores dentro de cada área do Judiciário
integram quadro único para efeitos do direito
a remoção, a ser posteriormente
regulamentada.
Carreira de Estado:
em seu artigo 24, o projeto define os ocupantes
dos cargos da carreira judiciária como
executantes de atividades exclusivas de Estado.
Regulamentação
do projeto: no art. 28 fica possibilitada a participação
das entidades sindicais na elaboração
dos regulamentos de que trata o projeto; buscaremos
que seja obrigatório no texto a ser aprovado.
Ojaf e gratificação:
o projeto propõe a volta da denominação
de oficial de justiça para fins de identificação
funcional (art. 4º, III, § 1º).
Fica instituída a Gratificação
de Atividade Externa (GAE) exclusivamente às
funções de oficiais de justiça
inerentes às suas atividades externas e
que não tenha função comissionada
nem cargo em comissão.
Agentes de Segurança
e gratificação: será conferida
a denominação de inspetor e agente
de segurança judiciária para fins
de identificação funcional e cria-se
a Gratificação de Atividade de Segurança
(GAS) devida exclusivamente aos ocupantes desse
cargo que não tenha função
comissionada nem cargo em comissão (art.
4, III, § 2º).
Os
aposentados e a Campanha Salarial
Cláudio
Silva Rufino*
Os
aposentados devem engajar-se na campanha salarial
da categoria, por ser de seu interesse direto
o sucesso no empreendimento. Acaso modifique-se
o ridículo percentual de 0,1%, a
todos será estendido o reajuste. Alguns
aposentados, principalmente os freqüentadores
do Núcleo de Aposentados, com reuniões
bimensais, na primeira e na terceira quinta-feira
do mês, às 15h, na sede do Sintrajufe,
sempre colaboram e se fazem presentes a atos
públicos. No entanto, deve ser intensificada
a participação dos aposentados,
pois, teoricamente, possuem mais tempo para
tal, além de não sofrerem risco
de qualquer retaliação de parte
das chefias, algumas atentas para prejudicar
os engajados na luta sindical. Realmente,
desde 2003 o Brasil viu crescer a despesa com
pessoal no âmbito federal na ordem de
R$ 7 bilhões anuais, mas pouco ou quase
nada desse dispêndio foi carreado
aos servidores públicos dos quadros de
pessoal da União.
Mil cargos de confiança
surgiram para assessorar novos ministérios
e secretarias, criados com o intuito de privilegiar
o interesse público, mas o resultado
é esta profusão de denúncias
de deputados de partidos aliados ao governo
federal, procedimentos criminais e comissões
parlamentares de inquérito. Também
aumentaram na ordem de 52% as despesas com funcionários
terceirizados, burlando a legislação
vigente e privilegiando empresas privadas com
finalidades pelo menos duvidosas.
O governo federal oferece
aos aposentados empréstimos, com juros
mais modestos, mas não isenta os tributos
inerentes às operações
financeiras, ganhando com isso, em vez de pagar
precatórios e créditos de milhares
de ações em que figuram principalmente
aposentados. O pagamento é feito quando
já morreu a maioria dos credores. Resta
registrar estar contemplada no Plano de Cargos
e Salários (PCS) a equiparação
dos aposentados aos servidores da ativa em sua
integralidade, ao contrário do ocorrido
com várias outras categorias, quando
os inativos são simplesmente alijados
de toda e qualquer modificação.
Assim, uma expressiva participação
de aposentados não só animará
os servidores da ativa, reforçando a
dedicação dos dirigentes de Sintrajufe
e Fenajufe, como marcará a posição
dos aposentados junto com a categoria, da qual
não pode se separar sob pena de restarem
a margem das conquistas funcionais.
*
Cláudio é coordenador do Núcleo
de Aposentados do Sintrajufe
Defender nossos direitos é
enfrentar o governo
David Landau**
Desde que assumiram
o governo em 2003, Lula e sua equipe mostraram
que não são aliados do trabalhador.
Aprofundaram as políticas neoliberais do
governo anterior, intensificaram reformas para
retirar direitos, aumentaram os juros e o superávit
primário, venderam a empresas estrangeiras
nossos poços de petróleo, etc. De
outro lado, mostraram que era possível
aumentar ainda mais os lucros do andar de
cima. Os bancos nunca lucraram tanto em
toda a história do Brasil, e as 500 maiores
empresas do país tiveram, em 2004, o maior
lucro dos últimos dez anos.
O que foi feito
até aqui ainda é pouco comparado
com o que pretendem fazer. O blindado ministro
Palocci vem discutindo com Delfim Netto o plano
Déficit Nominal Zero, que consiste em fazer
um corte arbitrário no orçamento
para fazer caber nele os gastos com o pagamento
integral dos juros. É a velha história:
o que importa é garantir a remuneração
do imperialismo, os brasileiros ficam com o que
sobra. Mas a conta não seria custeada pelas
grandes empresas, que teriam seus impostos reduzidos.
O ajuste pretendido por Lula-Palocci-Delfim atinge
as áreas sociais. Na avaliação
do economista Márcio Pochmann, esse
corte seria feito em maior escala na Previdência
Social (R$ 19,7 bilhões), seguido de corte
de benefícios dos funcionários públicos
(R$ 8,5 bilhões) e também diz respeito
à saúde (R$ 5,7 bilhões),
que seria a terceira categoria da área
social a ser mais atingida pelos cortes dos recursos.
Ele ainda avalia que 1,2 milhão de pessoas
deixariam de ter acesso ao seguro-desemprego e
que haveria corte de R$ 2,7 milhões na
educação (20% do atual orçamento).
Frente a essa
situação, soa incoerente querer
fortalecer o governo e defender PCS ou reposição
inflacionária. Até os sindicalistas
governistas assumem que essas reivindicações
só podem ser conquistadas com muita mobilização
mas, por outro lado, dizem que Lula é aliado
e não um inimigo a ser enfrentado. Mobilizam
para defender o governo na disputa eleitoral,
como quem defende uma quadrilha contra outra na
luta pelo controle do tráfico nos morros
do Rio. A CUT e os sindicatos governistas são
os aliados que o governo pediu a Deus
para respaldar a continuidade da ofensiva neoliberal
e frear a crise. Junto com o conjunto dos servidores
públicos deste país, já ajudamos
a desmoralizar e encurralar FHC, um governo que
parecia invencível e que, nos primeiros
anos, não perdia uma greve. Foi no momento
de maior desgaste dele que conseguimos conquistar
nosso PCS. O governo anterior, como o atual, não
queria nos dar uma migalha, mas não demos
trégua, o enfrentamos até o fim
e o colocamos na parede. Se não fizermos
o mesmo com Lula e ficarmos a reboque de quem
quer apoiar ou fazer parte de uma quadrilha, podemos
esperar o pior.
**
David é servidor do TRT e integra o grupo
Democracia e Luta
CUT
propala que mil sindicalistas apóiam mudanças
políticas do governo Lula
Jackson
Guterres*
Temos um respeito
ao passado de oposição da nossa
CUT, suas cláusulas pétreas de independência
e autonomia governista, talhadas no seio do sindicalismo
combativo de esquerda oxalá esta
fosse a atual realidade da CUT, que desde há
muito, deixou de ser coisa nossa.
A posse do figurão cutista, Luiz Marinho,
chamado por Lula para o Ministério do Trabalho,
tornou evidente, além do vexatório
o comprometimento governista, a total subserviência,
entreguismo e sinecurismo da Central. A megaestrutura
da CUT e o megaaporte de verbas, oriundo dos milhares
de sindicatos, agigantaram-na, mas sua pequenez
político-ideológica impediu-a de
bancar um vigoroso NÃO à atual gestão.
Gestão cujo sustentáculo são
o carisma do lulismo galopante e a ascensão
e a queda do partido que perdeu a cabeça
e o espírito popular ao locupletar-se no
poder. Um partido que elegeu seu dirigente maior
vendendo a idéia de que um outro
mundo político era possível.
Hoje só nos resta engolir em seco, aprender
a dura lição e tentar divisar uma
saída honrosa para um momento de vergonha
nacional, capitaneada pelo PT.
A CUT blefa quando
diz ser contra. Como ser contra aquilo com que
ela compactua? Seguindo a mesma trajetória
do ex-sindicalista Lula, a CUT hoje vem numa escalada
perigosa na contramão aos anseios das massas.
Ir contra a massa é garantia de ruína
moral e estrutural, em qualquer civilização.
Para onde isso vai nos levar? Até quando
vamos ser iludidos? Por quanto tempo a CUT vai
segurar a maré de indignação?
O povo brasileiro
vive um alto grau de insatisfação
contra a corrupção, o arrocho, a
total estagnação, a falta de empregos,
a carestia, a exclusão social, etc. O que
o governo popular não consegue arrecadar
dos impostos retidos das pessoas físicas
(R$ 80 bi anuais) e sob o consumo, ele tira dos
pobres e dos incautos, por meio de mais de 30
jogos oficiais. O quanto menos você e eu
comemos e consumismo em nosso lar é o termômetro
da grave crise que está combalindo o povo
brasileiro e assolando os menos favorecidos e
os abaixo da linha de pobreza.
A CUT participou
da burlesca cena de solidariedade ao ex-sindicalista
Lula, feita por dirigentes sindicais em Brasília.
Só faltou a musiqueta: E o cordão
dos puxa-sacos cada vez aumenta mais. Estamos
desilu(la)didos com tudo e com todos os que estão
no picadeiro das bestas-feras,
(Chefe da Abin falando dos políticos).
A única esperança política
que nos move, no momento, está no terreno
das idéias, das ideologias e dos ideais.
Urge o engajamento de consciências
polidas, lapidadas em anos de formação
política, pois é daí que
deve brotar um pensamento original, um sopro de
resistência, uma oposição
responsável e uma alternativa de luta viável,
justa e sensata que seja tão boa,
a ponto de reacender a esquerda brasileira. Exigimos
renovação em todos os níveis
políticos. Que venha a nova geração
de pensadores conscientes e comprometidos com
a moralidade e probidade público-administrativa
e o crucial respeito ao eleitor. A CUT, em
sua megaestrutura, tem um dos mais rentáveis
negócios uma vultosa arrecadação
mensal garantida, não tem mais a velha
aspiração política e vive
de propaganda política enganosa. Se o governo
não mais nos representa, o que podemos
esperar daqueles que comem no mesmo prato? Fica
aqui a solidariedade aos corajosos companheiros
federais que estão em greve. E a certeza
de que essa greve só não é
maior e mais unitária porque não
está nos planos de luta da CUT atrapalhar
a reeleição de Lula. Deus salve
o povo brasileiro!
* Jackson
é servidor do TRT e integra o grupo Democracia
e Luta
A CUT é instrumento para
derrotar os trabalhadores
David Landau*
A decepção
com o PT e o atual governo não pode nos
fazer esquecer da luta por salário, saúde,
educação, habitação
e trabalho digno. Muitos dos mais conscientes
e esclarecidos trabalhadores passaram ao ceticismo
e hoje dizem: nada podemos fazer.
Não é verdade.
A riqueza escondida
em nosso país é bem maior do que
aquela que apareceu nas últimas semanas:
nas malas do poder político e econômico.
A quantia utilizada para comprar deputados é
menor do que aquela envolvida nos projetos aprovados.
Isto sem falar no fato de que o Brasil é
o país com maior taxa de juros do mundo,
remunerando agiotas de uma dívida virtual
que nunca fizemos, e que nunca foi auditada, com
o dobro dos recursos utilizados para todo o resto
do orçamento público.
Não é
novidade o fato de que o poder econômico
e a corrupção controlaram o país
durante mais de 500 anos. A surpresa é
constatar que, no âmbito das instituições
do Estado, não há uma alternativa
para modificar essa realidade. As campanhas de
marketing que vendem ilusões e salvadores
da pátria (com ou sem barba) não
estão ao alcance do povo trabalhador. O
corrupto Roberto Jefferson orçou: R$ 1
milhão ou mais para eleger um deputado,
ao constatar que o caixa dois é
uma prática de todos os grandes partidos,
inclusive se auto-incriminando. Portanto, podemos
concluir que o corrupto Congresso Nacional
e os seus partidos não são uma representação
média ou um reflexo natural
da cultura e da ética existente na sociedade
civil. É repugnante ver representantes
de instituições corruptas buscando
se justificar por trás de uma suposta conivência
do conjunto do povo brasileiro.
No âmbito
sindical, deparamos com aqueles que querem nos
utilizar para respaldar um ou outro bando dos
delinqüentes de Brasília. Pelego é
aquilo que se coloca entre o cavalo e a pessoa
que o conduz, para amortecer o choque entre o
animal e o ser humano. Não há como
nos aproximarmos (mesmo que lentamente) do Brasil
que queremos, se não nos chocarmos fortemente
contra aqueles que enriquecem às custas
da miséria da maioria. Os pelegos
de carne e osso querem nos convencer que há
amigos no andar de cima contra os
quais não devemos nos chocar, que melhoraremos
nossa vida apostando nas eleições,
nas negociações com o parlamento
e com os ministros. Seria degradante aceitar a
corrupção à custa da miséria
da maioria como algo natural e inevitável.
A saída tem que ser construída com
a nossa organização e mobilização.
Muitos acreditavam que não poderia haver
movimento sindical organizado e forte depois da
CUT, que deveríamos continuar amarrados
a essa central, apesar do seu papel pelego,
já que o fim da CUT seria o fim da nossa
força. A marcha organizada pela Coordenação
Nacional de Lutas, dia 17/8, contra as reformas
e a corrupção do governo Lula, provou
o contrário. Mesmo sem o dinheiro que a
CUT e a UNE recebem do governo e de grandes empresas,
mobilizou 30 mil pessoas (o dobro que o ato Fica
Lula do dia anterior), por refletir o sentimento
de milhões de brasileiros, combinando indignação
com bom humor e muita criatividade.
*David é
servidor do TRT e integra o grupo Democracia e
Luta
Locação
de mão-de-obra no judiciário: o
fantasma da terceirizaçãoA CUT como
alvo da direita
José
Itamar Nunes*
A CUT foi criada
pelos trabalhadores em um processo real de lutas
contra a ditadura. Consolidou-se com o tempo como
a maior Central Sindical da América Latina.
Compõe-se de 3.262 sindicatos
na base, totalizando 21.709.305 trabalhadores
representados, dos quais 3.773.514 são
do serviço público. Tem seus problemas,
mas como não ter? É enorme, pluralista,
com diversas correntes de opinião no seu
interior. Gera debates acalorados, por vezes,
demora para deliberar sobre algum tema, como é
próprio de uma entidade nacional desse
porte. Mas é um instrumento de luta dos
mais importantes. Tem facilidade de agrupar outros
movimentos, como a UNE, o MST, a Ubes, enfim,
compõe a Coordenação dos
Movimentos Sociais (CMS).
Pois bem, os
tucanos de bico vermelho querem destruí-la
apontando um outro instrumento que nem sequer
é uma entidade, mas um movimento chamado
Conlutas. Na verdade, dada a proposta do Conlutas,
em tese não haveria colisão com
a CUT, e sim, com a CMS, uma vez que anseiam abrigar
no seu interior não só trabalhadores,
mas também estudantes, movimentos por moradia,
entre outros. A diferença é que
a CUT fortalece os sindicatos de base. O Conlutas
pretende a participação direta dos
trabalhadores, o que, se não enfraquece
diretamente os sindicatos, pelo menos não
os fortalece. Não se pretendem uma entidade
nacional, com estatutos ou programas. Nem mesmo
congressos deliberativos, mas sim, assembleiões
gerais misturando todas as pessoas independentemente
de categorias ou de interesses setoriais ou particularizados.
É um movimento e não uma entidade.
E quem decide os rumos dele é um partido
político. Os seus objetivos são
exclusivamente eleitorais e não deixa espaço
para as reivindicações específicas
da categoria.
Desse ponto de
vista, parece-nos um instrumento com pouca utilidade
para os trabalhadores. Pois seria trocar a CUT
por um movimento principista e sem nenhuma capacidade
real de mobilização. A sua serventia,
na verdade, restringe-se a atacar a unidade dos
trabalhadores. Precisamos lutar por nossos direitos,
para mantê-los e aumentá-los,
ao mesmo tempo em que aprendemos a enxergar as
suas limitações. Aumento de salários
são necessários, além da
reposição das perdas inflacionárias.
No entanto, precisamos denunciar e lutar contra
a altíssima concentração
de renda. A valorização de nossa
categoria é objetivo muito importante para
os trabalhadores e para o fortalecimento do Estado
Nacional.
Contudo, precisamos
lutar , também para que todos os trabalhadores
tenham estabilidade no emprego e valorização
de seu trabalho. Precisamos brigar pelo desenvolvimento
da economia e pela distribuição
de renda para que nossos filhos, amigos, parentes
também tenham a oportunidade de trabalhar
dignamente. A segurança pública
é proteção essencial de todos
os brasileiros, sob pena de nos tornarmos vítimas
desse descontrole, ainda que gastemos quase todo
o nosso alto salário em itens
de segurança. Se formos mais solidários
e fraternos na luta, mais fortes e alegres seremos.
Queremos a redução da jornada de
trabalho sem redução do salário
para nós e para todos os trabalhadores.
Enfim, precisamos elevar nossas condições
de trabalho e de vida, assim como as de todos
os brasileiros. Nivelar por cima em um padrão
digno aos seres humanos.
* Itamar
é diretor do Sintrajufe e diretor da CUT
Metropolitana
Brasil
enfrenta uma crise de destino
Mário
Augusto Jakobskind*
- Pergunta: Como
tu classificas o atual panorama político
brasileiro?
Stédile:
Muito complicado. O Brasil vive uma grave crise.
Não é só crise pelas denúncias
de corrupção. No fundo é
uma crise de destino. Uma crise de modelo econômico.
Nossa sociedade não tem mais projeto. Nós
tivemos o modelo agroexportador
imposto pelo capital colonizador, nos quatro primeiros
séculos de nossa existência. A partir
da revolução de 30, até 1980,
tivemos o projeto do modelo de industrialização
dependente, que industrializou e urbanizou o país.
Aí veio a crise. As elites tentaram sair
da crise impondo o modelo neoliberal, que na verdade
não é um projeto de país,
é apenas a subordinação aos
interesses do capital internacional. Então,
o neoliberalismo nem tirou o país da crise
econômica e social nem representa um projeto
nacional. O Lula, motivado por aspirações
de chegar ao governo, aceitou fazer aliança
com essa elite neoliberal, sem discutir com o
povo um projeto. E o resultado é este ai:
continuamos em crise.
-- Pergunta:
Acreditas que o governo Lula pode retomar a linha
programática prometida na campanha que
o elegeu em outubro de 2002?
Stédile:
Claro. Mas tudo depende de correlação
de forças. Não depende mais de declarações
de boa vontade, nem do presidente, nem de setores
do governo nem do PT. Depende da possibilidade
de realizamos mobilizações de massa
exigindo mudanças na política econômica
e uma reforma política ampla, que tire
o governo Lula de continuar refém de suas
alianças conservadoras e seus compromissos
com os neoliberais.
- Pergunta: Lula
está sendo mesmo desestabilizado pela
direita?
Stédile:
O governo está em crise, mas ainda não
se desestabilizou. A direita joga com
várias alternativas, a primeira é
manter o governo refém de acordos neoliberais.
E, na pior das hipóteses, derrubá-lo,
ou então derrotá-lo politicamente
por antecipação para que, com sua
desmoralização política,
a direita volte a ganhar as eleições
em 2006.
- Pergunta: E
2006, a sucessão presidencial?
Stédile:
Se é verdadeiro que nossa crise é
de projeto, de modelo, de destino, somente eleições
presidenciais não resolvem. Podemos reeleger
o Lula, pode voltar o FHC, eleger o Garotinho,
a Heloísa Helena, quem quisermos, dependendo
de nossas simpatias partidárias. Somente
sairemos da crise se tivermos um projeto de desenvolvimento
nacional que coloque como prioridade a solução
dos principais problemas do povo. Os problemas
do povo são o direito a emprego, renda,
terra, moradia, escola e cultura. Para isso é
preciso enfrentar a dívida externa, os
banqueiros, as grandes multinacionais
e o latifúndio. Para viabilizar
esse projeto, precisamos aglutinar forças
sociais que o debatam com a sociedade e o defendam.
Nós, do MST, estamos preocupados com
o futuro do Brasil, não em quem será
o próximo presidente da República.
- Pergunta: Acredita
que o país tem jeito mesmo?
Stédile:
Claro. Só tem jeito. Quem não tem
jeito neste país são as elites,
a classe dominante, os donos do capital, os latifundiários,
os que mandam nossas riquezas para fora. Veja
bem, há 10 mil brasileiros que declaram
no Imposto de Renda que têm depositado no
exterior, um total de US$ 82 bilhões. Esses
não têm jeito mesmo. Os grã-finos
que ficam sustentando lojas de luxo nos centros
comerciais, esses não têm jeito mesmo.
Mas o povo brasileiro é trabalhador, generoso,
sabido e lutador. Tem tudo para dar certo, é
só a gente se livrar das influências
dos de cima.
Saiba mais -
O entrevistado João Pedro Stédile
e economista e líder nacional do Movimento
dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, juntamente
com outras lideranças do movimento social,
redigiu a Carta ao Povo Brasileiro, na qual se
exigem mudanças na política econômica
do governo.
* Jakobskind
é jornalista. Esta entrevista foi gentilmente
cedida pelo Sintrajufe/RJ
Contra a corrupção,
a favor dos corruptos?
David Landau*
Quando surgiram
as primeiras denuncias de corrupção
nos Correios, a CUT e o PT começaram a
criticar as denúncias mais
que os denunciados, chegando a se
posicionar, num primeiro momento, contra a instalação
da CPI. O escândalo do mensalão
ainda não tinha surgido, ou era ainda uma
declaração inconsistente de um corrupto
acuado, e as entidades do governo no movimento
(ou do movimento no governo) já adotavam
a linha política que depois se divulgou
através da Carta aos Brasileiros.
O movimento contra
a corrupção e a favor do governo
poderia ser interpretado da seguinte maneira:
ao defender o governo, estar-se-ia defendendo,
na verdade, uma parte ética e esquerdista
dele (PT, PCdoB, PSB), vítima das más
companhias e do golpismo de quem
está fora. Era mais ou menos como se uma
vizinha chegasse reclamando das atitudes do menino
para a mãe, e esta respondesse: não,
meu filho não seria capaz de fazer uma
maldade dessas, a culpa é do resto da turma
com a qual ele anda. A burguesia é golpista
porque, talvez, não goste de lucrar tanto
quanto com Lula.
Hoje não
há mais dúvidas de que até
o PT é um partido corrupto. As principais
denuncias já mostram: a empresa de Marcos
Valério era beneficiada por contratos sobrefaturados
e serviam para repassar dinheiro do governo para
o partido através de empréstimos.
Na imprensa alguns comentaram uma velha frase
deplorável utilizada pelos dirigentes do
falso socialismo no leste europeu: os fins
justificam os meios. Meios imorais sempre
servem a fins imorais. Se os meios consistem no
roubo de dinheiro público, cabe refletir
sobre os fins: o destino do dinheiro era reorganizar
o partido, reconstruir os núcleos de base,
ajudar os sem-terra ou os movimentos sociais?
O dinheiro ia para o Fome Zero? Não! O
dinheiro público ia para pagar mensalão
e campanhas políticas de diversos partidos
(PT, PTB, PL, PP), para aprovar Reforma
da Previdência, Reforma Sindical
e Trabalhista, Parcerias Público-Privadas.
Agora a última cartada esta em tentar poupar
Lula e Palocci. Sugere-se que Lula era um inocente
útil, não estava a par do enriquecimento
de seus amigos, não dirige o PT e não
governa. Nem sequer sabia das quantias utilizadas
na sua campanha eleitoral ou da origem delas.
Essa tática faz lembrar a época
de Collor, que também não sabia
dos esquemas de corrupção de seu
tesoureiro, PC Farias. Ora, se há algo
que não se pode questionar é a esperteza
de alguém que deixou de ser operário
para vir a ser um dos principais agentes da burguesia.
No país onde o negro morador
de rua é assassinado sumariamente pela
polícia por ser potencial trombadinha,
ao mesmo tempo em que não há provas
para incriminar Collor, FHC e Lula, nada mais
normal que a história de Fábio Luis
Lula. Biólogo subempregado até
o fim de 2003, o filho do presidente torna-se
sócio de uma empresa que, logo depois de
formada, recebeu uma injeção de
capital de R$ 5,2 milhões da Telemar.
*David Landau
é servidor do TRT e integra o grupo Democracia
e Luta
A
crise do governo atual
José
Itamar Nunes*
Há muito
dizemos que o governo Lula é um governo
em disputa. Não se podendo, de antemão,
prever o seu resultado. Mas, fato é que,
de um lado, temos um governo que se posiciona
ao lado dos países pobres e em desenvolvimento
contra os interesses hegemônicos e beligerantes
do governo dos Estados Unidos. Por outro lado,
aplica a política econômica e as
reformas constitucionais como mera continuidade
do governo neoliberal antecessor. Senão,
vejamos:
- um governo
que apóia ostensivamente a Argentina, o
Uruguai, a Venezuela, a Colômbia, Cuba,
o Paraguai e outros, fazendo tratados nas áreas
de saúde, educação, tecnologia,
armamentos, agricultura, etc, desafiando os embargos
políticos e econômicos criminosos
impostos pelos EUA,
- mas que faz
aprovar a reforma da Previdência, buscando
satisfazer aos fundos de pensão, em detrimento
dos direitos dos servidores públicos;
- que desfez
a instalação da base militar dos
EUA em Alcântara,
- mas aceita
discutir o projeto Delfim do déficit nominal
zero;
- que vai à
ONU e a OMC disputar regras de mercado que restrinjam
o monopólio e os subsídios daqueles
que vivem pregando o livre comércio e a
livre iniciativa, e pasmem, ganhou algumas vezes
deles dentro do seu próprio campo,
- mas que faz
aprovar a lei de falências e mantém
a lei de responsabilidade fiscal;
- que promove
uma política de consolidação
do Mercosul e faz acordos com a China, a Índia,
a Rússia, a Europa, a Ásia e a áfrica
e o mundo árabe, buscando uma multipolarização
da política e da economia em contraponto
ao domínio absoluto dos Yankess no mundo,
- mas que contém
o reajuste do salário mínimo e retira
recursos necessários à reforma agrária;
- que dentro
do país trata com respeito aos movimentos
sociais, como o MST, os sindicatos, os movimentos
populares como um todo; que não trata como
caso de polícia, apesar do apelo diário
da mídia pela criminalização
desses movimentos;
- mas que não
atende às suas justas reivindicações;
- que, aos olhos
do povo e dos povos do mundo é uma legenda
viva de um retirante nordestino, operário
metalúrgico grevista, líder sindical
como a dizer ao mundo que as pessoas do povo também
podem alcançar o poder político
aqui e em qualquer lugar no planeta. Canaliza
a esperança do povo pobre,
- mas que mantém
a receita do FMI na política econômica
interna. Enfim , um governo dual, controvertido.
É certo, contudo, que o governo Bush, e
tudo o que ele representa, não confia nesse
operário sindicalista. Afinal, os EUA são
um país falido economicamente. Que tem
a dívida externa e interna maior do globo.
Atualmente, a sua quase única fonte de
recursos são a venda de armas e munições
e a reconstrução dos países
destruídos por eles mesmos.
Pefelistas e
os tucanos de bico vermelho - José Itamar
Nunes*
Os aliados do
capital se auto-intitulam como tucanos e pefelistas.
Outros, por infantis se utilizam de grande verborragia
esquerdista, mas que se prestam ao mesmo fim:
atacar e desmoralizar a esperança do povo
para um Brasil soberano, justo e democrático;
verdadeiros tucanos de bico vermelho. Esmeram-se
para ofuscar a vista do povo, tergiversando e
confundindo os objetivos maiores dos trabalhadores.
Esforçam-se para convencer os trabalhadores
que seus objetivos tem que ser imediatos, economicistas,
impedindo que possam enxergar mais claramente
os seus inimigos. Levando-os a combaterem até
os seus próprios instrumentos de luta,
suas entidades como a CUT a UNE.
Os nossos inimigos
buscam o empixamento e/ou o enfraquecimento e
a derrota eleitoral ou, ainda, a chantagem política
e um enquadramento ainda maior do governo
ao projeto neoliberal. No dizer de Miguel de Cervantes,
por Sancho Pança: O que transforma
o mundo não é a utopia, mas a necessidade.
A nossa maior arma é a consciência
da necessidade. O povo organizado nas ruas em
torno de um projeto concreto que os unifique.
Como pensar em
desenvolver o Brasil, distribuir sua renda e a
justiça social quando o imperialismo diz
que não se pode fazer isso? Faz-se aos
poucos, aglutina-se amigos e aliados ao mesmo
tempo em que se desperta o povo para aprender
a lutar por seus direitos, desde que envolvidos
em um projeto que os identifique. À luta
, pois o futuro nos pertence.
*
José Itamar é servidor da Justiça
do Trabalho e diretor do Sintrajufe
As
antidemocráticas leis eleitorais
Sérgio
Amorim*
Em tempos de
eleição, e infelizmente somente
nessas ocasiões, vêm à tona
discussões relativas às leis eleitorais,
propaganda política, seu financiamento,
filiação partidária, obrigatoriedade
do voto e outras discussões que, por inoportunas,
acabam desviando um pouco o foco, que são
os programas e propostas ideológicas das
diferentes correntes políticas nacionais.
Assim, já que a oportunidade inoportunamente
se apresenta, defendo que algumas mazelas da lei
eleitoral precisam ser imediatamente revistas,
a fim de trazer à realidade o processo
de escolha de nossos representantes e dirigentes.
O voto obrigatório,
que só serve para trazer para o processo
eleitoral pessoas totalmente alheias a ele, desmobilizadas,
despolitizadas e, por isso mesmo, facilmente manipuladas
(aqui, os adjetivos usados são meras condições
socioeconômicas) não contribuem em
nada para a lisura do processo. Deve-se aumentar
a participação do eleitorado, mas
é com transparência no processo,
esclarecimento, educação, e não
com cabresto. A filiação partidária
para candidatar-se a um cargo eletivo não
deveria ser obrigatória numa real democracia,
pois vincula o candidato a uma linha ideológica
pré-definida e preexistente, que necessariamente
não é exatamente a sua. Além
do mais, a representatividade popular, justificativa
para tal obrigação, está
à disposição no mercado,
com inúmeros partidos minúsculos
prontos para receber qualquer candidato endinheirado,
para mútua alavancagem eleitoral.
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