Na medida de sua publicação,
traremos para este espaço artigos e entrevistas
sobre assuntos inerentes à Segurança
Judiciária, bem como aos projetos dos quais
somos protagonistas.
Artigos e entrevistas do NAS
Que
polícia é essa? - Revista Caros Amigos
- maio de 2007 - formato PDF
SEGURANÇA
INSTITUCIONAL - O primeiro passo para a transformação
- Planejar a implementação de uma segurança
orgânica
MANIFESTO
DE APOIO - Assinado por aproximadamente 5/3, ou 195
delegados presentes ao 5º Congresso da Fenajufe,
em 2004
O PERIGO DO ISOLAMENTO
Estruturação
de uma Polícia Judicial Federal
Gratificação
de Atividade de Segurança: Uma vitória
emblemática
Entrevistas
REVISTA
CAROS AMIGOS Novembro de 2006 - Entrevista
com Francisco Carlos Garisto - presidente da Federação
Nacional dos Policiais Federais
SEGURANÇA
INSTITUCIONAL - O primeiro passo para a transformação
Planejar a implementação
de uma segurança orgânica
Discutir a polícia do Judiciário
passa, obrigatoriamente, por discutir a evolução
do serviço de segurança judiciária.
Não se pode pensar em transformar, mesmo que
num futuro mais remoto, um quadro de segurança
judiciária combalida por anos de descaso em
um corpo policial moderno, eficiente e racional, como
será exigido quando da inevitável estruturação
da polícia do Judiciário. Tal não
se dará num passe de mágica ou na assinatura
de uma lei, mas será fruto de uma evolução
profissional, racional e metodicamente planejada.
Modernamente, muito se tem avançado
no estudo da segurança institucional, dignitária,
patrimonial e pessoal. Segurança atualmente
é uma atividade pensada cientificamente e baseada
em preceitos como planejamento, organização,
unidade de coordenação e controle, seguindo
premissas básicas de atuação
prioritária em educação e orientação,
prevenção, controle e coibição.
Pôr em prática, por meio de um Plano
de Reestruturação da Segurança
Judiciária, conceitos como inteligência
preventiva e preditiva, excelência em comunicação
e locomoção e instrumentalização
de ponta, além de qualificação
e continuado aperfeiçoamento pessoal, transformará
o atual quadro da segurança judiciária
em uma verdadeira segurança orgânica,
capaz de prover satisfatoriamente ao Judiciário
Federal sua essencialidade: a tão buscada sensação
de segurança.
Cabe assim, ao conjunto dos agentes,
diagnosticar, pesquisar, estudar, discutir e propor
à categoria e às administrações
dos tribunais um Plano Nacional de Estruturação
da Segurança Judiciária, moderno e viável,
a fim de corrigir as distorções que
culminaram no atual quadro de fragilidade e degradação
da segurança judiciária.
Núcleo dos Agentes de Segurança
Sintrajufe/RS
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MANIFESTO
DE APOIO
Assinado por aproximadamente
5/3, ou 195 delegados presentes ao 5º Congresso
da Fenajufe, em 2004
A categoria não pode continuar
indiferente à contínua e crescente privatização
que atualmente está desmantelando os setores
de segurança, vigilância e transporte
no Judiciário Federal.
Não pode continuar indiferente às requisições
de policiais civis, militares, federais e até
soldados para cumprirem funções nos
tribunais típicas dos Agentes de Segurança,
enquanto esses, em grande quantidade, encontram-se
em desvio de função. À completa
falta de treinamento, ao desaparelhamento e à
quase total ausência de condições
dignas de trabalho, bem como à insegurança
institucional presente nas dependências dos
tribunais.
Não podemos continuar indiferentes ao fato
de que a exeqüibilidade das decisões do
poder judiciário são hoje totalmente
dependentes da estrutura policial do poder executivo,
em grande maneira também precarizada e esvaziada
em seus quadros.
Não pode por fim, a categoria, continuar indiferente
ao fato de que, para a proteção de seus
operadores (vide chacina de Unaí) e completa
exeqüibilidade de suas decisões, independentemente
do poder econômico (vide caso da Fazenda Souttal/RS),
o poder judiciário carece de autonomia, independência,
isonomia e equivalência em relação
aos demais poderes.
Em que pese tudo o que já se falou e já
se ouviu, tudo o que já se tentou esclarecer
e o muito que ainda não está entendido,
OS TRABALHADORES DA ÁREA DE SEGURANÇA,
VIGILÂNCIA E TRANSPORTE do Judiciário
Federal, reunidos neste 5º CONGREJUFE, conclamam
a FENAJUFE para que, imediatamente, garanta o acompanhamento
e promova a ampla discussão sobre a estruturação
de uma Polícia Judicial, a partir da implantação
de uma Comissão de Estudos da Situação
da Segurança no Judiciário, bem como
com a reiterada promoção de seminários
e palestras sobre o tema nos diversos sindicatos filiados.
Trabalhadores da área de segurança,
vigilância e transporte do Judiciário
Federal
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O
PERIGO DO ISOLAMENTO
Os Agentes de Segurança, nos últimos
anos, vêm promovendo discussões e trazendo
à tona a situação precária
em que se encontra a Segurança no Poder Judiciário
Federal. Por fazer parte organicamente de uma categoria
de importância vital para a institucionalidade
do órgão, não podemos neste momento,
de formatação de políticas para
o setor de segurança judiciária, deixar
de lado ou isolar do debate os demais servidores,
nossos colegas de serviço público, nossos
companheiros de luta pelas melhorias salariais e de
condições de trabalho.
Na discussão tanto dos objetivos almejados,
quanto das formas para atingí-los, não
podemos nos furtar de ouvir os demais servidores do
judiciário federal. Nenhuma política
de melhoria será ampla e facilmente posta em
prática sem a compreensão e o apoio
do restante da categoria. Sem que a categoria, nacionalmente
representada pela Fenajufe, compreenda a necessidade
dessas mudanças e apóie na prática
os projetos de melhoria da segurança judiciária
propostos pelo segmento, tais projetos não
passarão de imposição da vontade
de uma minoria à maioria, estando assim fadados
ao fracasso, não pela inexistência de
coerência técnica, mas pela falta de
compreensão da necessidade das mudanças
propostas.
As atitudes tomadas tanto de forma isolada quanto
consensual, pelo movimento dos Agentes de Segurança,
não terão legitimidade sem que esses
projetos sejam discutidos com boa parte da comunidade
para a qual a segurança é dirigida.
Assim ocorreu com o PCS. Sem o convencimento do restante
da categoria (patrocinado pelos próprios Agentes
de Segurança, por dentro da categoria, nos
Congressos e Plenárias Nacionais da Fenajufe)
da necessidade de um instrumento capaz de valorizar
o segmento da segurança e alavancar a qualificação
deste serviço e a luta contra o desvio de função
e a terceirização, não seria
possível o amplo apoio do restante da categoria
à implementação da GAS. E sem
esse apoio, não seria possível que a
Fenajufe defendesse a Gratificação específica
para a segurança judiciária durante
as negociações de formatação
do PCS com a cúpula do judiciário.
É importante compreender, em que pese o bom
e duro trabalho de nossos bravos Agentes de Segurança,
organizados em torno da Associação Nacional
e em permanente debate na comunidade virtual seguinfe.org,
que não será possível isoladamente
do conjunto da categoria, implementar as políticas
importantes para o segmento, pelo simplório
motivo de que não estamos isolados. Em não
estando isolados, não podemos lutar isoladamente.
Não podemos esquecer de momentos, durante as
negociações do PCS, em que setores da
própria categoria, carentes de acúmulo
da discussão e sem a compreensão correta
das motivações da GAS, opinaram e posicionaram-se
contra a gratificação específica
para o setor de segurança. Tal posição
poderia, num cenário de isolamento dos agentes,
ter evoluído e inviabilizado a GAS dentro do
PCS, o que só não ocorreu pois os agentes
discutiram em conjunto com a categoria, dentro da
Fenajufe, o projeto como um todo, e em especial as
demandas específicas do setor. Nenhuma conquista,
portanto, embora possa ser considerada uma vitória
inicialmente, terá legitimidade e consistência
de se manter como uma premissa necessária,
sem que advenha do apoio amplo do restante da categoria.
Muitas são as mudanças necessárias
para transformar a atual segurança judiciária.
Porém a primeira precisa partir dos próprios
agentes de segurança e deve ser conceitual,
de convencimento do restante da categoria da importância
e da necessidade das inovações propostas.
Foi com este ímpeto, de discussão e
convencimento, de proposição e de luta
ao lado da categoria, que conquistamos a Gratificação
de Atividade de Segurança, fator que será
decisivo para o projeto de valorizar o cargo de Agente
de Segurança e de implementar uma política
de capacitação da segurança judiciária.
Pondo em prática um serviço de segurança
moderno, eficiente e confiável, e com o restante
da categoria ao nosso lado, estaremos cada vez mais
próximos da segurança orgânica
que almejamos, não de uma forma imposta e artificial,
mas com a confiança e o apoio sólido
da categoria.
Sergio Amorim dos Santos
Agente de Segurança Judiciária
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Estruturação
de uma Polícia Judicial Federal
Este documento foi elaborado pela Coordenação
do Núcleo dos Agentes de Segurança Judiciária
e serve de informação e subsídio
de argumentação, a respeito do assunto.:
1.Inicialmente, cabe salientar ser o Poder Judiciário
o único dentre os três poderes que não
possui prerrogativa constitucional de organizar sua
própria polícia. Apesar de o poder de
polícia do judiciário ser inerente à
sua atuação, em geral coercitiva, este
somente pode ser exercido através das polícias
constituídas pelo poder executivo (Polícia
Federal, Polícia Militar, Polícia Civil);
2.Cabe informar que o Poder Legislativo, a nível
federal (Câmara de Deputados e Senado Federal)
teve, com o advento constituinte de 1988, reconhecido
constitucionalmente esta prerrogativa, tendo estruturado
seu próprio corpo policial (Polícia
Legislativa) em 2002, com a transformação
dos cargos de Agente de Segurança em Polícia
Legislativa, advindo daí, obviamente, os benefícios
e as obrigações inerentes à atividade
policial;
3.O cargo de Agente de Segurança, apesar de
não ser atividade-fim, pois não lida
diretamente com o processo, é essencial para
o legislativo, pois garante a segurança institucional
de Magistrados, Servidores e demais operadores da
Justiça, controlando acessos, dirigindo veículos
oficiais e sendo responsável pelo controle
de qualquer perturbação da ordem ou
anormalidade nas dependências dos fóruns
e secretarias, além de escoltas de detentos
e guarda de armas de fogo. Apesar disso, não
possui atualmente, salvo raras exceções,
nenhum tipo de treinamento, instrumentalização,
capacitação e condições
de bem desempenhar suas obrigações;
4.Em todo o Brasil, as áreas não-fim
dos órgãos do judiciário federal
vêm sofrendo sucessivos ataques, principalmente
aquelas ligadas à segurança, vigilância
e transporte. Os Agentes de Segurança, em especial,
sofrem preconceitos de toda ordem e acabam, em grande
parte, em desvio de função, por dois
motivos principais: primeiro, a maioria tem formação
superior e não possui, no cargo, possibilidades
de ascensão profissional. Assim, ingressam
em gabinetes, secretarias, a fim de almejarem um merecido
reconhecimento, inclusive pecuniário. Segundo,
mesmo não sendo possível uma ascensão,
livram-se das precárias condições
de trabalho impostas aos Agentes pela falta de instrumentalização,
treinamento, capacitação, além
do preconceito quanto ao exercício da função;
5.Sabe-se que a precarização dos serviços
públicos é a primeira atitude dos administradores
quando a intenção é a privatização.
É crescente a privatização dos
setores de segurança, vigilância e transporte
no judiciário federal, ocorrendo casos de tribunais
em que não há mais Agentes concursados
no desempenho de tais funções, estando
todos desviados de suas funções e tendo
sido contratadas empresas privadas de vigilância.
A segurança privada é descomprometida
com a instituição, seus quadros são
mal remunerados, substituíveis a qualquer tempo,
sendo mais facilmente corrompíveis pelo crime
organizado, apesar da decência e esforço
de seus humildes trabalhadores.
6.Temos vivos na memória os recentes acontecimentos
de Unaí (Assassinato de Servidores Públicos,
no cumprimento do dever coercitivo do Estado, por
total inércia das polícias responsáveis)
e da Fazenda Souttal (anulação de desapropriação
do maior latifúndio do estado do RS, por falta
de notificação do proprietário,
o qual influiu nas polícias locais e recrutou
capangas para que impedissem o acesso da Oficial de
Justiça responsável pela notificação
à sua propriedade que, assim, não pôde
cumprir o mandado). Esses acontecimentos, reproduzidos
diariamente pelo Brasil afora, e que quase nunca vêm
à tona, exemplificam a precariedade da exeqüibilidade
das decisões judiciais, face às mesmas
estarem calcadas na força coercitiva de polícias
descomprometidas, desaparelhadas e carentes de policiais,
em que pese o esforço de seus quadros no cumprimento
de suas obrigações. As polícias
Civil (responsável principalmente pelos inquéritos
criminais), Militar (pelo policiamento ostensivo)
e Federal (Tráfico de drogas, fronteiras, lavagem
de dinheiro, crimes federais), raramente possuem quadros
e afinidade suficientes para, além de cumprirem
suas atividades-fim, prestarem os auxílios
solicitados pelo judiciário para o cumprimento
de suas decisões;
7.A estruturação de uma polícia
do judiciário solucionaria de forma definitiva
os problemas de capacitação, instrumentalização
e profissionalização dos trabalhadores
em vigilância, segurança e transporte
do judiciário federal, criando uma carreira
típica de estado (afastando o fantasma da privatização),
proporcionando uma significativa melhoria salarial
(seja pela implantação da gratificação
por atividade policial ou por equiparação
salarial com as demais carreiras correlatas) e, principalmente,
traria a valorização do quadro (com
a obrigatória implantação de
programas de treinamento, capacitação
e instrumentalização). A estruturação
de uma polícia judicial, enfim, viria ao encontro
da valorização do próprio poder
judiciário, a partir da possibilidade de pronta
exeqüibilidade de suas decisões sem necessidade
de dependência de polícias de outros
poderes e do livre acesso ao serviço nacional
de informações, a fim de agilizar execuções
trabalhistas, cíveis e criminais.
8.A estruturação nacional de uma polícia
do judiciário poria fim às históricas
distorções funcionais da carreira de
Agente de Segurança nos diversos tribunas,
uniformizando a atividade e as prerrogativas da função,
bem como normas e procedimento padrão. Demandas
como prevenção de acidentes e incêndios
e segurança do trabalho, hoje relegadas à
sorte e ao descaso dos tribunais, também seriam
atribuições de responsabilidade de setores
específicos da polícia judicial.
9.Não procede, nem pode prosperar, o receio
de alguns colegas de que a estruturação
de uma polícia judicial criaria um órgão
repressivo no seio da categoria. Não
podemos esquecer que serão os próprios
Agentes de Segurança atuais, colegas de anos
de convivência honesta e harmoniosa, em sua
maioria engajados nas lutas históricas da categoria
e sempre prontos para o auxílio ilimitado aos
demais servidores, juizes, partes e advogados, que
comporão o futuro corpo policial do judiciário.
Tal órgão, a nosso ver, deverá
agir prioritariamente em inteligência, prevenção
e proteção. Ademais, não será
a não criação de uma polícia
judicial que impedirá cúpulas autoritárias
de reprimir manifestações legítimas
dos servidores, ainda mais se a segurança estiver
sendo exercida por seguranças privados, totalmente
descompromissados com a categoria.
10.Com a estruturação de uma Polícia
Judicial, cai por terra qualquer tentativa de privatização
da segurança e vigilância no âmbito
dos tribunais. Ao contrário, em não
havendo a possibilidade constitucional de implantação
de uma Polícia Judicial e estando as direções
dos Tribunais convencidas da necessidade de adoção
de medidas mais concretas e eficazes a fim de garantir
segurança no judiciário, certamente
implantariam tais medidas, provavelmente contratando
segurança privada, totalmente alheia aos quadros
do judiciário.
11.Mais uma polícia? Bem, sobre esse assunto
cabe uma informação. Nos países
mais avançados, tanto em termos de combate
ao crime quanto em termos de estado democrático
de direito, a força policial costuma estruturar-se
em diversas polícias especializadas, porém
institucional e sistematicamente integradas (sistemas,
informações). Tal organização,
por especialidade, restringe as competências,
a fim de garantir exatamente o controle de abusos.
12.Os Oficiais de Justiça, braço do
juiz no mundo real, em geral têm dificuldades
no cumprimento dos mandados, quando este requer o
apoio policial. Uma polícia judicial seria
certamente estruturada de forma a contemplar, com
boa parte de seu quadro, um núcleo de apoio
policial à central de mandados, a fim de agilizar
e garantir o apoio imediato, tanto ao cumprimento
da ordem judicial quanto à segurança
do Oficial de Justiça. Vivemos, no RS, um ambiente
onde tal problema é de difícil visualização.
Porém, a nível nacional, em regiões
localizadas, como o Rio de Janeiro, São Paulo,
Belém do Pará, cidades longínquas
e fronteiriças, há um certo domínio
institucionalizado do crime organizado, quase um quarto
poder, onde o Oficial de Justiça, seja da justiça
do trabalho ou federal criminal, vê-se quase
que impedido de atuar, sem o apoio concreto e imediato
de uma polícia engajada e comprometida.
NAS Núcleo dos Agentes de Segurança
Judiciário Sintrajufe/RS
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Gratificação
de Atividade de Segurança: Uma vitória
emblemática
O NAS saúda
toda a categoria, que com garra e determinação
não se deixou esmorecer pelos imprevistos e
obstáculos, conquistando o mais vantajoso Plano
de Cargos e Salários da história do
Judiciário Federal.
Em que pese as vantagens conquistadas por toda a categoria,
nos cabe destacar especificamente a Gratificação
de Atividade de Segurança. A GAS, incluída
no novo PCS, como forma de garantir o aprimoramento
do segmento, a melhoria das condições
de trabalho e a sensível diminuição
dos desvios de função e da terceirização,
é uma grande vitória da categoria e
dos próprios Agentes de Segurança. Este
segmento, que nunca aceitou o isolamento e jamais
se furtou a discutir os problemas da categoria como
um todo, buscou acertadamente em conjunto com o restante
da categoria as soluções viáveis,
destacando as necessidades específicas inerentes
às peculiaridades da função e
a importância estratégica de proporcionar
ao segmento uma ferramenta eficaz de aperfeiçoamento.
Comemorada a sanção e a entrada em vigor
da lei 11.416/2006, agora é acompanhar de perto
a importante discussão sobre a regulamentação
da GAS, onde detalhes como garantia de implementação
aos Agentes de Segurança efetivamente no exercício
das funções do cargo, extensão
da GAS aos atuais e futuros aposentados e pensionistas,
detalhamentos sobre a reciclagem, entre outros objetos
de discussão incial, serão acompanhados
de perto pelo NAS e, em especial, por cada um dos
Agentes de Segurança que acreditam na importância
dessa conquista da nossa luta.
Adiante, vinculada à própria questão
da GAS e da sua regulamentação, devemos
nos preparar para discutir a reestruturação
da Segurança Judiciária, assunto que
entrará na pauta dos debates ainda neste primeiro
semestre e que certamente não passará
para o rol de conquistas do segmento, sem ampla discussão,
estudo, debate, e muita luta.
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REVISTA
CAROS AMIGOS Novembro de 2006
Entrevista com Francisco
Carlos Garisto
Entrevistadores: Marina Amaral, João de Barros,
Marcos Zibordi, Renato Pompeu, Thiago Domenici, Wagner
Nabuco, Sérgio de Souza.
O episódio do dossiê, ainda sob investigação
da Polícia Federal, e seu impacto no primeiro
turno das eleições presidenciais permanece
envolto em dúvidas. Até hoje não
se sabe, por exemplo, se as informações
vendidas por R$ 1,7 milhão se restringem aos
papéis a que a imprensa teve acesso
basicamente vídeo e fotos do governador eleito
José Serra, quando ministro da saúde,
em companhia de deputados implicados no escândalo
dos sanguessugas , ou se essa é apenas
uma pequena parte de um dossiê de 2 mil páginas
conforme anunciou à imprensa o policial federal
Edmilson Bruno, delegado plantonista responsável
pela prisão do empresário Valdebran
Padilha e do ex-agente da polícia federal,
Gedimar Pereira da Silva, que trouxe o dossiê
à tona. Também se discute a atuação
da Polícia Federal no caso, principalmente
depois que o delegado Bruno, já fora das investigações,
fotografou o dinheiro apreendido e distribuiu as fotos
para sete jornalistas com as palavras: Vamos
f... o presidente Lula. Para discutir essas
e outras questões igualmente nebulosas, que
prometem alimentar o lado policial da campanha eleitoral,
entrevistamos Francisco Garisto, presidente da Federação
Nacional dos Policiais Federais, entidade que reúne
sindicatos de policiais federais de todo o Brasil.
Marina Amaral - O delegado Edmilson Bruno, que entregou
a foto do dinheiro, tem ligação com
políticos?
O Bruno não tem envolvimento político
com ninguém, é um menino correto, ficou
apavorado com a divulgação e ficou na
mão, ninguém apoiou. Só nós
é que estamos apoiando. Mas primeiro eu queria
saber se tinha negócio de dinheiro, que é
uma coisa perigosa, e se ele era ligado ao PFL, PSDB
ou qualquer outro partido. Não tem nada a ver.
Ele revelou aquilo ali mais no sentido de que foi
pedido a ele que não revelasse, entendeu? E
depois tiraram ele do caso.
Marina Amaral - Mas tiraram ele do caso? O que se
sabia é que ele estava de plantão, acabou
o plantão e ele foi tirado do caso.
Então, mas, quando você faz uma apreensão,
pelo plantão, de uma pele de jacaré
no aeroporto de Congonhas, aí ninguém
tira.
Marcos Zibordi - Ah, então isso não
tem necessariamente que acontecer?
Não, mas ocorre com uma alguma freqüência,
sem maldade, sem interesse político. Nesse
caso era o interesse de Brasília ter o controle
sobre a coisa, porque é uma coisa melindrosa,
politicamente falando, numa semana de eleição.
João de Barros - Mas foi ele que vazou as
informações?
Foi ele que vazou as fotos.
João de Barros - Por quê?
Porque sentiu que tinha que vazar e a Polícia
Federal estava apanhando. Eu dei uma entrevista na
Rádio Jovem Pan, defendendo a polícia,
dizendo que não podiam acusar a Polícia
Federal de nada, porque estavam lá Tasso Jereissati,
Bornhausen, todas as figuras que nós conhecemos
de uma roubalheira clássica, acusando a Polícia
Federal de que estava fazendo e aquilo.
Marina Amaral - Fazendo corpo mole?
Quem foi que iniciou a operação? Quem
foi que prendeu o camarada com o dinheiro? Quem foi
que prendeu o ex-agente com o dinheiro? Ele foi colocado
num camburão, um cara que trabalhou trinta
anos limpo, nunca foi punido. A polícia agiu
energicamente contra um ex-colega. Aí, quando
me perguntaram na Jovem Pan sobre a foto eu não
tive o que falar. A foto não tem desculpa,
porque já fizemos foto da Igreja Universal,
daquela dinheirama, tinha um deputado federal preso.
Fizemos foto do dinheiro na cueca, tinha o envolvimento
do assessor do irmão do Genoino, que agora
é deputado federal. Não é de
agora, com PT ou PFL, toda vez que tem, a gente bota
lá o distintivinho da polícia, bota
lá o dinheiro. É comum mostrar o dinheiro,
vocês vêem isso no Jornal Nacional.
Sérgio de Souza - Mas aí é a
Polícia Federal, não é um delegado
isoladamente, e ele diz que a foto é dele,
da máquina dele. É verdade isso?
É verdade, ele que fez a foto.
Sérgio de Souza - Mas isso pode? Sem ninguém
estar junto?
Pode. Pior foi o que eles fizeram. Pegaram o dinheiro,
pelo que estou sabendo, preciso confirmar isso, e
depositaram na Caixa Econômica. Aí, cadê
o corpo de delito se você precisasse de uma
prova daquele dinheiro? Se precisasse de uma impressão
digital, um DNA de cabelo? Foi embora. Então
existem algumas coisas, tem gente ali que... Vocês
lembram quando eu denunciei, em 2002, a turma do PSDB
com alguns políciais federais montando um dossiê
dentro da Polícia Federal contra o Lula. Eles
queriam me punir porque ficaram com raiva de mim,
cassaram minha licença sindical, e eu era presidente
da federação, como sou hoje. Aí
fui obrigado a voltar ao serviço, e fiquei
sabendo que tinha um grupo de pessoas criando esse
dossiê contra o Lula, e já tinha uma
revista de grande circulação pronta
para sair na semana da eleição. Tipo
camiseta do seqüestro do Diniz. Já estava
tudo pronto e eu abortei aquilo, mas não é
que eu sou petista, abortei aquilo para preservar
a polícia. Então tenho moral hoje para
falar desse dossiê porque na época denunciei
o dossiê que seria contra o Lula. O PSDB ficou
desmoralizado e não pôde usar aquilo.
João de Barros - Mas esse agora também
não foi uma armação?
Aí tem duas vertentes. Tem a vertente do ódio
dos Vedoin, que está até a tampa, a
família toda, ninguém sabe o destino
deles, se vão pegar dez, vinte ou trinta anos
de cadeia, porque no Brasil você sempre pega
alguém para Cristo. Está aí o
Lalau. Roubou, roubou, mas tem muita gente para ser
presa. O Luís Estevão foi preso ontem.
Depois de três anos, e quem ficou com o dinheiro
foi ele. O Lalau ficou com a gorjeta. Então,
existe a vertente Vedoin, que quis detonar todo mundo
porque sabia que o telefone dele estava no grampo.
Assim como nós sabíamos que todo mundo
está no grampo, que a Polícia Federal
pegou como prática principal, e que eu às
vezes condeno porque no Canadá fizeram isso
e a polícia já não sabe fazer
nada sem o grampo, perdeu aquele ímpeto de
investigação, que sempre teve. O grampo
dá resultado porque é novidade no Brasil,
mas na Inglaterra eles usam hoje 10 por cento, 20
por cento de grampo. Porque lá ninguém
mais fala. A gente fica cinqüenta, sessenta anos
atrasado em relação a quase tudo. Nós
estamos agora no estágio do grampo.
Marina Amaral - Não precisa falar com o juiz?
É claro que precisa, mas você não
faz.
Renato Pompeu - Você falou que tem uma vertente
do Vedoin...
O Vedoin talvez tenha feito isso não no caráter
político, mas para detonar tudo, jogar tudo
pro alto, para ter mais defesa. Então pode
ser uma estratégia do Vedoin, porque ele falou
no telefone grampeado.
João de Barros - Ele falou exatamente o quê?
Falou que ia entregar o dossiê, sabendo que
a Polícia Federal estava acompanhando isso.
Marina Amaral - Então era uma armadilha?
Sim, mas não política. Se alguém
do PSDB de Cuiabá, os Anteros da vida e outros,
tiveram lá um contato com ele, aí é
uma coisa que eu estaria inventando, eu estou falando
o que eu sei.
Marina Amaral - O fato é que ele falou sabendo
que o telefone dele estava grampeado, ele falou com...
Naquele telefone ele não falava nada, o pessoal
que estava fazendo a escuta já estava até
dormindo.
Marina Amaral - No telefone ele falou com quem? Com
Gedimar, Hamilton, com o Valdebran?
Ele falou com o Hamilton e depois falou com o Gedimar.
Com o Gedimar foi só para perguntar o negócio
do dinheiro.
Marina Amaral - Com o Valdebran ele não falou?
Não sei. Não tenho essa informação.
Sei que conversou com todas as pessoas envolvidas
porque ele ficou com medo que não houvesse
o dinheiro. Vocês leram a escuta: Tenho
dinheiro, sim. Ah, mas eu preciso ver
o dinheiro. Ah, mas eu preciso ver o dossiê.
É que nem entrega de cocaína, eu não
te dou o dinheiro se você não me mostrar
o pó. Ele não me dá o pó
se eu não mostrar o dinheiro. Então
tem que ter uma relação de confiança,
senão ninguém faz nada. Aí, conclusão:
ele resolveu levar uma amostra. Cadê as 2.000
páginas que estão dizendo aí
na imprensa? Estão com ele.
Marina Amaral - Mas existem?
Não sei. Ele que disse no grampo que tinha
mais papel pra entregar.
Marina Amaral - O delegado disse também. Ele
viu o dossiê?
O delegado está se baseando no grampo.
Marina Amaral - Ele não viu?
Não, não existe esse dossiê de
2.000 páginas, o que existe são algumas
páginas que eu não sei quantas são,
mais um monte de fotos. Inclusive, tem coisas do Serra,
mais coisas do Lula. Agora, a grande pergunta: por
que não se divulga tudo isso? Tem uma coisa
chamada segredo de Estado...
Marina Amaral - O delegado disse que sumiu.
Sumiu nada. As 2.000 páginas não existem
porque eles iam entregar ainda. Eles levaram algumas
coisinhas pro pessoal ver que eles tinham acesso a
algo e depois iriam entregar. Algo que não
sabemos o que é.
Marina Amaral - Ele já tinha entregado um
CD vazio, né?
Mas o CD vazio foi pra fazer um teste e ver se o dinheiro
estava lá. Porque aí o cara viu o CD
e falou: O CD tá aqui, e o dinheiro tá
aqui. Então tem outro aqui.
Porque, se fosse uma armação de polícia,
flagrante: Isso aqui não é nada,
é um CD vazio. Entendeu? E normalmente
não se leva o dinheiro. O Gedimar, por exemplo,
já fizemos um levantamento sobre ele, trinta
anos de polícia, nunca faltou ao serviço,
nunca foi punido, cara íntegro na sua profissão
de agente policial federal. E policial, quando se
aposenta, de modo geral, ou vai ser segurança
ou advogado. Noventa por cento dos nossos policiais
são bacharéis em direito, todos, delegados,
agentes. E o que ele fez? Foi trabalhar para o PT,
com carteira assinada. E quem apresentou ele pro PT?
O Freud, porque ele, Gedimar, já trabalhou
na segurança do Lula e conhecia o Freud, que
estava em todas.
Marina Amaral - E o Freud está envolvido?
Veja bem, do mesmo jeito que a gente não pode
dizer que ele está envolvido, também
não pode dizer, como foi dito ontem (4 de outubro),
que ele não está. Colocou a minha polícia,
de novo, falo como defensor dessa instituição,
colocou a minha polícia no descrédito.
Eu vim lendo no avião agora o Correio Brasiliense,
a Folha de S. Paulo e o Estadão, esculhambando
a polícia de novo, porque absolveram o Freud,
que não tem envolvimento com nada simplesmente
porque o nome dele não constou das ligações
do celular. Acho a maior irresponsabilidade absolver
ou acusar alguém no calor de eleição.
A eleição tem um calendário,
a polícia tem que ter outro.
Marina Amaral - Se fosse uma operação
de rotina, você estranharia alguma coisa?
Essa pergunta... vou ter que esculhambar todo mundo.
Porque uma operação de rotina, pela
minha experiência, que trabalhei infiltrado,
é o seguinte: você está com o
Vedoin no grampo, aí ele vai vender um dossiê,
falso, estamos falando agora, né? Por 1,7 milhão,
parece que começou com 10, 15 milhões.
Aí o que a polícia tem? Tem um camarada
envolvido em sanguessuga, ambulância, já
entrou em cana, saiu, ele filho, irmão, cunhado,
papagaio, tudo aí ele vem a São Paulo
entregar esse dossiê. Eu estou comandando, e
qualquer policial com a experiência que eu tenho
faria o que vou dizer, é isso que a Polícia
Federal vem fazendo com aqueles vampiros, gafanhotos,
etc., essas duzentas e poucas operações
que foram todas feitas desse jeito, o Paulo Lacerda
deu uma entrevista falando isso que vou dizer, que
é assim que a Federal trabalha agora. Não
mete mais o pé na porta, é inteligência
que faltou agora, que não foi só pros
aloprados que faltou inteligência. Então,
o cara vem entregar um negócio... O que eu
faço? Pô, já estou com ele no
grampo, sei o hotel onde ele está, meus meninos
estão na portaria, tenho uma menina que está
de recepcionista, tenho um camareiro, tenho uma camareira,
então tenho o controle, aquele dossiê
eu pego a hora que eu quiser. O Vedoin eu pego a hora
que eu quiser, ele vai sair correndo pela rua? Eu
tenho três, quatro viaturas no bairro. Estou
no controle. Você viu a pantera quando pega
a presa? Fica só seguindo, porque já
é dela. Aí vem o comprador... Isso serve
pra qualquer coisa ilícita, cocaína,
dossiê, vocês já viram em filme
isso. O cara vem: Dossiê! Como é
que eu sei que aquele dossiê não é
um CD vazio? Mete a cana num CD vazio, o cara me processa
por abuso, é como eu invadir a casa de alguém.
Se eu não acho nada, é invasão
de domicílio. Se acho, é flagrante.
Esse é um risco nosso. Aí, conclusão:
deixo o cara entregar, não vi o dinheiro, espero
o dinheiro. Iam fazer o que, a troca? Um ia ficar
com o dinheiro e o outro com o dossiê, não
é? Eu tenho as mesmas coisas, vocês repararam.
Só tenho as pessoas com o material trocado,
mas tenho os dois e o material. Vamos supor que o
Gedimar pegue o dossiê, junto com o Valdebran.
Os dois concluem a operação, pegam o
material. O Vedoin ia sair com o dinheiro. Podia até
meter a cana no Vedoin e esconder com ele. Acabou
o serviço em cima dele. O dinheiro ia virar
o quê? Dinheiro vira outro dinheiro ou depósito.
O dossiê, não. Eu quero saber quem encomendou,
quem pagou. Então eu ia querer monitorar aquela
turma, deixar o dossiê caminhar...
Marcos Zibordi - Deveria.
Deveria, nós não fizemos isso em todas
as operações? Aí é que
vem a ordem de Brasília para o delegado de
plantão fazer o serviço.
Marcos Zibordi - Mas não tinha um outro delegado?
Sabe de quantas operações delegado de
plantão participou nessas duzentas e poucas
do Brasil inteiro? Nenhuma. Quando a operação
é no Mato Grosso, você pega dois delegados
do Mato Grosso que acompanham isso por um mês,
dois meses. O delegado de plantão não
participa de nada. Então alguém de Brasília
mandou o delegado de plantão aqui fazer esse
serviço: Ah, então você
vai lá em tal lugar. O interesse dele
era tão forte em fazer...
Wagner Nabuco - Isso não é uma ordem
oficial? Não tem registro dessa ordem?
Não, isso que estou dizendo pra vocês
é normal. Não tem ilegalidade. Só
que é anormal policialmente falando, tecnicamente
falando, porque o delegado de plantão... vem
cá, você está falando de assessor
do Lula, está falando do coordenador da campanha
do Lula, está falando do presidente do PT...
Está me entendendo? O Gedimar é um pobre-diabo
ali. Não é porque é meu colega,
não. Um pobre-diabo mesmo. Falaram pra ele
que o dinheiro era legal, depois ele viu que não
era. Devia ter saído, é aí que
ele chora: Falaram pra mim que era legal, aí
eu forcei pra ver o documento e eles não me
mostraram, e a burrice é que eu fiquei, já
estava lá.
Marcos Zibordi - Mas quem deu a ordem pro delegado
de plantão fazer a prisão?
Foi o pessoal da escuta, a inteligência da Polícia
Federal, que faz o grampo em Brasília. O grampo
é todo concentrado em Brasília. A ordem
veio da direção geral, do coordenador
da inteligência. Talvez o Renato da Porciúncula,
que é o delegado encarregado. Não sei
se foi ele, eu não estava lá no dia,
não posso precisar porque às vezes tem
o substituto dele, de quem eu não sei nem o
nome. Aí, o que acontece? Vem a ordem de Brasília:
em hotel tal vai ter um cara com dinheiro e vão
comprar um documento. O delegado de plantão
nem sabia que era um dossiê, por isso cheguei
na inocência dele, se ele está na armação,
ele sabe de tudo. Então ele foi pra lá
fazer a apreensão do dinheiro e de documentos,
e de repente deparou com documentos que seriam contra
o Serra. Quer dizer, se é uma armação,
são todos uns aloprados mesmo, o presidente
tem razão. Agora, se não foi uma armação,
eles devem ter feito esse serviço pensando
que iam se dar bem.
Sérgio de Souza - Mas esse suposto dossiê
andou um pouco na mão de alguém?
Eu estava em Cuiabá, falei com o presidente
do sindicato (dos policiais federais) de Cuiabá,
o Elon, até a lanchonete da esquina tinha oferecido
dossiê pra eles.
Sérgio de Souza - Dizem que o diretor do Banco
do Brasil que depois foi afastado afirmou que viu,
só que ele sumiu e não falou mais nada
pra ninguém.
Lá em Cuiabá falam isso, mas eu não
posso afirmar. Estão dizendo aí que
tem coisa lá que derruba a República.
E hoje ouvi de novo, de pessoa que sabe o que está
falando, que tem coisa que derruba a República
e coisa que causa o impeachment do Serra.
Marcos Zibordi - Por quê? Todo mundo está
envolvido?
Eu acho que tem coisa ruim ali. Por que estaria em
segredo de justiça?
Wagner Nabuco de Araújo - Você ouviu
lá em Cuiabá que o Vedoin teria pedido
20 milhões ao Abel Pereira e o Abel Pereira
acabou pagando 10 milhões?
O Abel não sei se viu, sei que o ex-diretor
do Banco do Brasil teve conhecimento antes, e talvez
ele tenha conversado com os outros, o Barjas Negri
colocaram aí, mas ele não teria visto
nessa situação da prisão, teria
quando ofereceram pra ele e parece que não
topou muito. Agora, acho que, se aconteceu uma armação
maior, foi de uma primariedade de execução...
porque seria preciso que envolvesse todo mundo, até
o pessoal do PT na segunda linha, tinha que estar
envolvido até o Gedimar, seria uma engenharia
de alto risco. Se a Federal está envolvida
pelos tucanos, de que serve o Gedimar? E agora, com
segredo de justiça, não podemos mais
falar sobre investigação. Botar a culpa
no delegado de plantão por causa da foto, isso
é uma burrice jurídica.
João de Barros - Mas o delegado teria xingado,
teria dito: Eu vou ferrar o Lula.
Parece que ele falou isso aí, mas não
porque fosse de outro partido, falou numa revolta,
porque o superintendente não queria falar com
ele, ninguém queria dar atenção
a ele, já o estavam acusando de um monte de
coisas: Por que ele não fez isso?
Por que prendeu? Porque ele fez
aquilo? Ia sobrar tudo pra ele, e ele sabe quem
pediu pra ele. Proibiram a entrada dele no prédio,
ele se sentiu meio perdido. E aí o que aconteceu?
Ele não tem experiência nenhuma de imprensa,
vai fazer um off com sete! Estadão, Folha,
Globo, JB...
Marina Amaral - O grande enigma é por que
ele não foi atrás do dossiê.
Ele fez tudo errado, mas não foi por coisa
política, ah, ele é ligado aos
tucanos. É até engraçada
a vida desse delegado, assim, profissionalmente, passa
muito longe disso tudo.
João de Barros - Engraçado por quê?
Porque ele não mexe com política, não
liga pra isso não tem aspiração
de carreira, não quer complicação.
Conheço pessoas que são carreiristas,
fazem qualquer coisa pra subir de cargo, passam por
cima do outro, pisam na cabeça, 90 por cento
dos cargos de chefia fazem isso, tanto é que
normalmente não são ocupados por pessoas
técnicas, são ocupados por indicação.
Ele não é esse caso, mas então
aparece um caso famoso, entre aspas, que ele foi,
e vocês começam a estourar os flashes
na cara dele, quem não gosta? Herói,
está prendendo, dossiê, candidato, ele
se sentiu o Tuma naquela época da repressão
pendurando todo mundo. Aí, ele achou que não
deviam tirar dele o caso. Por que achou isso? Porque
ele já tinha até atendido a ordem pra
não divulgar a foto: Já faço
parte do negócio, por que vão me tirar
agora?
Marcos Zibordi - Mas você falou que ele não
tinha ambições, por que ele brigaria
pra ficar no caso?
Você não tem ambição até
a hora que ela não cai no seu colo, todos nós
somos ambiciosos. Um caso desses aparece pro policial
uma vez em trinta anos.
Sérgio de Souza - Os tucanos chamam esse dinheiro
do suposto dossiê de dinheirama,
1,7 milhão e o dinheiro das contas CC-5
você lembra quanto era? Um escândalo que
envolveu o nome do Bornhausen.
Não quiseram mais discutir o CC-5 porque é
a mesma coisa que esse caso aqui, se você tiver
Palmeiras e Corinthians envolvidos, não tem
final de campeonato, vai fechar os dois times? Acaba
com o campeonato paulista, acaba com o campeonato
brasileiro?
João de Barros - Qual é a relação
do poder com a Polícia Federal?
Num país de corruptos, é o instituto
principal. Tem uma PEC pra transformar a Polícia
Federal em Ministério da Polícia, por
quê? É o ministério principal,
você pega o Jornal Nacional, você vê
estrada trinta segundos, criança morrendo na
fila mais trinta segundos, e Polícia Federal...
Marina Amaral - E no TSE houve grampo ou não?
Nós fomos lá fazer o teste e não
deu grampo nenhum.
Sérgio de Souza - E por que o ministro Mello
ia denunciar isso?
O rapaz que trabalhou pra ele nisso é conhecido
dos mecanismos de arapongagem e quis fazer sucesso
lá, entendeu? Agora, se a Federal pega o grampo
lá, fala que tinha mesmo. Perito não
vai mentir.
Marina Amaral - O ministro foi enganado, acreditou
na palavra do araponga?
Não vou dizer que foi enganado, é porque
o rapaz não tinha um equipamento tão
preciso quanto o nosso. Porque, se você faz
o grampo de hoje, digital, não cai nada. Não
tem como saber se está grampeado.
Marina Amaral - Então ele poderia estar grampeado?
Poderia, mas lá na central, porque grampo de
central ninguém pega. De celular ninguém
pega. Porque nós fazemos grampo onde? Fazemos
na célula, não tem uma torrezinha aí
por perto? É ali que grampeamos. Quando você
muda dessa, eu grampeio a outra, porque tenho um escâner
que me diz onde você está. Esses filmes
que falam que se identifica onde você está
pelo celular é verdade. Onde você estiver
com o celular, eu sei onde você está,
porque o celular tem um GPS interno. Agora, o equipamento
que o rapaz usou pra falar que tinha grampo poderia
ser uma queda de energia. E vai grampear o Marco Aurélio
pra quê também?
Marina Amaral - Voltando à questão
de a Polícia Federal ser ligada sempre ao poder...
Desde que ela foi fundada, no mundo inteiro...
Marina Amaral - Então você concorda
com a idéia de que a polícia estava
embaçando as investigações pra
não descobrir a origem do dinheiro antes da
eleição?
Não vou dizer embaçando, mas poderia
dizer pra você que estão trabalhando
num ritmo que não quer problema nem com um,
nem com outro, porque se você revela... Agora,
se você quer acabar com isso aí, não
briga com a polícia, não, briga com
o Marco Aurélio, briga com o Supremo, briga
com o juiz que decretou o segredo de justiça.
Se você tem Lula e Alckmin, você tem um
dossiê que pode acabar com a vida dos dois candidatos,
não tem esse papo aí que acaba com a
República? Aí você tem um documento
que pode esclarecer isso, pô, vai pra televisão
e fala o seguinte: Eu não estou com Lula,
com Alckmin, não estou com ninguém.
Pega esse troço e dá uma coletiva. Aí,
vocês votam em quem vocês quiserem.
Isso é país sério, na minha opinião.
Sérgio de Souza - Garisto, seguramos a edição
pra sair antes do segundo turno e uma das entrevistas
importantes era você, por causa do aspecto policial
que vem envolvendo a campanha. Além do dossiê,
tem o caso do departamento de inteligência
do PT. O Berzoini...
Eu fui convidado pra esse troço. Eles me convidaram
pra fazer parte de um grupo.
Thiago Domenici - Eles quem?
Pessoal do PT. Conheço muita gente do PT, como
conheço dos outros partidos. E eles me sondaram:
Garisto, o pessoal está querendo montar
um grupo pra evitar aquelas coisas, que chega isso
contra um, chega isso contra outro, ou mesmo contra
o Lula, aquilo que você fez na Federal aquela
vez, você se antecipou, aquilo ia causar um
prejuízo pra nós... Na época.
eles queriam me botar de diretor-geral da Policia
Federal, por causa desse favorzinho. Não fui
por causa de uma armação interna que
acabou me derrubando. E também, se eu vou,
duro seis meses.
Sérgio de Souza - E agora?
Agora, eles fizeram isso pra evitar problemas pro
candidato. O que é problema? O cara me empresta
um jato. Ó, o cara quer te emprestar
um jatinho, você está sem avião,
pô, me levanta quem é esse cara aí,
meu.
Marina Amaral - Você disse que a Polícia
Federal sempre agiu ligada ao poder. Nesse governo
também, ou ela agiu atrelada ao poder ou ela
agiu com liberdade?
Noventa por cento com liberdade. Mas, quando a coisa
é muito terrível, eles interferem. Mas,
se você é delegado, não tem que
obedecer ninguém. Hoje, graças a Deus,
existe uma geração de policiais, não
porque é novo, uma mentalidade dos velhos também,
que não obedece mais o diretor, nem o superintendente.
Wagner Nabuco - Vocês têm a liberdade
funcional: abriu o inquérito, está na
sua mão, ninguém pode mexer mais.
Os que têm coragem.
Wagner Nabuco - Eu estava relendo a sua entrevista
em 2000 para a Caros Amigos, uma das coisas que você
falava era a capacidade de interferir fortíssima
dos organismos americanos na Polícia Federal.
Acabou isso aí.
Marcos Zibordi - Não tem mais agente norte-americano
treinando policial brasileiro, por exemplo, na fronteira
do Paraguai?
Não, não tem. Estão treinando
os paraguaios. Eu vim de Foz do Iguaçu semana
passada, de um congresso.
Marcos Zibordi - Estão treinando os paraguaios?
E tem muito americano lá, tem uma base lá
que o governo brasileiro devia chiar e não
está chiando. A coisa está feia lá,
a interferência americana é total.
Wagner Nabuco - Uma coisa que você falava na
entrevista era a interferência na Polícia
Federal...
Fui depor no Congresso sobre isso, dinheiro do DEA,
dinheiro disso, dinheiro daquilo, isso aí acabou.
Marcos Zibordi - E o Comando Delta?
O Comando Delta está mais vivo do que nunca,
mas todo mundo fala que eu sou da teoria da conspiração...
Wagner Nabuco - Você acha que nessa eleição
o Comando Delta agora começou a agir mais forte?
Claro que sim. O Comando Delta está com medo
que o Lula resolva ser o Lula no segundo mandato e
fazer umas coisas sociais que ele não fez,
isso aí eu ouvi de um cara que faturou mais
de 1 bilhão. Falou pra mim dentro de um avião.
O cara faturou mais de 1 bilhão o ano passado.
Sérgio de Souza - O que ele falou?
Falou que o pessoal está cabreiro, e eu sei
que ele faz parte desse tipo de rolo. E vocês
podem me chamar de doido, mas existe isso.
João de Barros - Composto por quem?
O Comando Delta é o quê? É o cara
que fatura 3 bilhões por ano. Que tem lá
uma privatização que ele pegou de graça
com o dinheiro do governo e fatura 3 bilhões
por ano. Esses são os caras que se reúnem
e que não deixam mudar.
Sérgio de Souza - O Ciro Gomes diz que eles
se reúnem uma vez por mês em São
Paulo.
Só que eles não ficam com quem vai perder
e me parece que eles estão indo pro lado do
Alckmin, por isso que é perigoso o Alckmin.
Porque o Alckmin já era membro. A turma do
tucanato é membro. E o negócio deles
é grana, só grana. São esses
malditos que tocam esse país, foram eles que
chegaram pro Lula e: Você pode isso, pode
isso, pode isso, se fizer assim, estamos com você.
E os estudiosos da economia do Lula falaram para ele:
Se você mexer nisso, cai o castelo de
cartas. E cai, não adianta você
querer ser petista ou outra coisa, cai mesmo.
Marina Amaral - E o Comando Delta atua nessa área
de dossiês?
Eles fazem tudo. A Kroll era o braço de investigação
deles, vocês não viram aí? Pega
os clientes da Kroll.
Thiago Domenici - Tem gente da mídia no Comando
Delta?
Eles interferem no mecanismo de comunicação,
sim, é muito claro isso. Você viu, por
exemplo, a explicação que a Globo deu
quando foi dizer que o Lula não ia comparecer.
O Bonner ficou meia hora falando: "Ele não
vai porque vai ser atacado, porque vai ser esculhambado,
se fosse ele também não viria. E você,
telespectador, você viria? Não viria.
Então o Lula está certo, não
deve vir mesmo. E outra, é um apoio que,
se eu fosse o Lula, também ia querer. Que é
da maior emissora de televisão do país.
Mas todo mundo sabe que é um apoio eventual.
Amanhã, quando o interesse dela não
for atendido, ela muda de lado.
Thiago Domenici - Voltando ao dossiê, não
é estranho acontecer justamente na semana em
que o povo vai votar?
Tudo no período eleitoral é estranho.
Até a demora do DNA, que demora mesmo, é
estranha. Agora foi a Polícia Federal que descobriu,
bem ou mal, armação ou não, foi
ela que descobriu. E a Polícia Federal hoje
é isenta, somos atacados de ser petistas e
tucanistas. Quando a gente faz um negócio que
pega mal pro PT, somos tucanos. Quando prejudica os
tucanos, somos PTpongas. Está ótimo,
não estamos agradando ninguém, polícia
não foi feita para agradar. Nós temos
que agradar o juiz, a opinião pública,
o Estado. Os governos passam e a gente fica.
Marina Amaral - O que fica esquisito é que
o dinheiro estava lá e as provas não
estavam...
As provas estavam, mas os caras pensavam que era coisa
muito melhor. Porque são estelionatários.
Eu não acredito nem que tenha 2.000 páginas
de dossiê. Aqueles aloprados daqueles Vedoin,
o negócio deles é dinheiro, o tanto
que eles roubaram das ambulâncias, não
tinha tempo pra ficar correndo atrás de dossiê.
Eles formaram 2.000 páginas em dez dias!
Marina Amaral - Ninguém nunca viu esse dossiê?
Não, ninguém nunca viu.
Marina Amaral - O delegado Bruno deu uma entrevista
dizendo: Ah, compromete gente, partidos de A
a Z. Falou tudo isso baseado no testemunho do
Gedimar?
Não, falou isso baseado no que já existe.
No que já foi apreendido.
Marcos Zibordi - Mas nesse pedaço que foi
apreendido tem coisa?
Não foram apreendidas só duas fotos,
não. Foi um monte de coisinha. E tem papel
também, tem coisa lá que ninguém
viu ainda. E está fechado.
Sérgio de Souza - Você também
não?
Não, agora, eu sei que tem essa frase que eu
estava repetindo que diz que derruba a República
e causa o impeachment do Serra...
Marina Amaral - Mas é isso que está
lá?
É. Que está na polícia.
Marina Amaral - Mas é muito esquisito, porque
o delegado falou que nada comprometia o Serra.
Segredo de justiça. Como é que a Justiça
decretou rapidinho segredo de justiça? Se eu
falar para você o que tem lá agora, é
de três a seis anos de prisão.
Renato Pompeu - Voltando à minha pergunta
no começo: você disse que tinha uma vertente
Vedoin e uma outra vertente. Qual é a outra?
A outra é armação. Do jeito que
vocês estão falando, só que pra
essa armação aí vamos ter que
ter o comprometimento, inclusive das pessoas do próprio
PT. O que dizem é que o negócio foi
feito pra favorecer o Mercadante. Por isso que o Lula
está chutando as cadeiras lá. Se esse
pessoal do tucano armou isso, é uma possibilidade,
não posso eliminar isso, estamos falando de
conjeturas. Não tenho informação
sobre isso. Mas é possível. Agora, existem
coisas ali também contra o Serra, de acordo
com as informações também, que
eu não vi. Então, aí, o cara
vai armar para ele mesmo?
Thiago Domenici - Segundo turno agora dia 29, você
acha que essa história vai durar quanto? Vai
ter uma solução antes ou depois?
A pressão está muito forte. Agora, uma
investigação é que nem uma corrida
de Fórmula 1. Você não pode andar
a 400, você tem que andar a 300, se você
andar a 400 vai capotar na curva, se andar devagar
todo mundo passa você. A investigação
policial não pode se atrelar à vontade
do Alckmin nem do Lula, ela tem que se atrelar, e
aí com isenção, em cima do tempo
que leva para fazer as coisas.
Sérgio de Souza - Mas a investigação
estaria continuando?
Claro, claro. A origem do dinheiro. Está.
Sérgio de Souza - Além da origem do
dinheiro, o que mais?
Investigando tudo que tem ali dentro, agora, com que
pressa? Acho que a Polícia Federal chegou a
uma conclusão ali, através da direção,
que eles não vão divulgar mais nada,
vão ficar é na deles, porque, se pega
um, pega outro, ela pode interferir no processo. Agora,
a Polícia Federal é uma coisa complicada,
ali tem muito tucano. Se tem coisa contra o Lula ali,
talvez seja mais fácil vazar contra o Lula
do que contra o outro.
Marina Amaral - O procurador desse caso é
o mesmo do caso da Roseana, né? O Avelar?
O Avelar é o seguinte: é um garoto.
Eu conheço o Avelar. Ele é muito competente,
inteligente, trabalha dia e noite, levanta de madrugada
para relatar, mas ele é que nem pintinho de
chocadeira: vê uma luz, corre pra baixo dela.
Não pode ver um holofote. E esse é o
problema do Ministério Público e alguns
delegados nossos. E eles ficam disputando esse holofote,
e quem ganha com isso é o crime.
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