O Agente de Segurança
no Futuro Plano de Carreira do Judiciário Federal
Debater um Plano de Carreira efetivo para o Judiciário
Federal, prioridade da Fenajufe para o próximo período,
passa por debater cada atividade da carreira e suas peculiaridades.
A atividade de segurança judiciária, pelo
engajamento dos Agentes de Segurança na discussão
e pelos avanços conquistados por este setor no último
PCS, tem sido pauta de diversos encontros, onde questões
como a reestruturação da segurança
judiciária, a formação, treinamento
e qualificação, são pauta continuada.
A Gratificação de Atividade de Segurança
veio propor alternativas para equacionar estes problemas
a médio prazo, mas já se pode vislumbrar que,
sozinha, não será capaz de solucioná-los.
O maior mérito da GAS, porém, além
do adicional pecuniário, foi o reconhecimento e a
valorização do serviço público
indispensável prestado pelos Agentes de Segurança,
em contraponto ao avanço das terceirizações
e do desvio de função. Em todo o país,
servidores da área de segurança judiciária,
desviados de suas funções estão a ela
retornando, pondo em cheque as terceirizações
no setor e abrindo espaço para o efetivo exercício
de técnicos e analistas judiciários, nas importantes
tarefas onde antes atuava um Agente desviado de função.
Este movimento de retomada das atribuições
de segurança, exigirá das administrações
maciços investimentos em formação e
capacitação no setor, pra além da previsão
legal do PCS quanto à reciclagem. Além disso,
a reestruturação dos setores de segurança
tornou-se indispensável para suportar a retomada,
de forma profissional, dos serviços de segurança
em seu espectro mais amplo, o que já está
ocorrendo em alguns tribunais. Nesse processo, com a profissionalização
da segurança judiciária, sai ganhando todo
o judiciário e seus usuários.
Além da gradativa implementação da
GAS, a segurança judiciária passa por outra
transformação de peso, que diz respeito à
efetividade do porte de arma. Gradativamente, o desarmamento
dos responsáveis pela segurança do judiciário
federal, imposto pelo estatuto do desarmamento, vai sendo
revertido por resoluções das administrações
que, apesar de inicialmente mostrarem-se desnecessariamente
restritivas, iniciam um processo de retomada para o próprio
poder judiciário da incumbência e da responsabilidade
de resolver quando e em que situações seus
agentes podem ou devem portar armas, no estrito cumprimento
do dever legal. O treinamento e a capacitação
desses Agentes é um cuidado que os tribunais estão,
acertadamente, levando ao extremo do profissionalismo e
da legalidade.
Completando este quadro de avanços, está pronta
para ser votada, no congresso nacional, a PEC 358, que possibilitará
aos Tribunais organizar a sua polícia própria.
A futura Polícia Judicial será uma realidade
no próximo período, prendendo a atenção
daqueles que, assim como os Agentes de Segurança,
acreditam que sua estruturação trará
não só a evolução do cargo de
Agente de Segurança, mas também o definitivo
aprimoramento da segurança judiciária e um
avanço na garantia da exigüidade e exeqüibilidade
das decisões judiciais.
Nesse quadro, colidem as discussões sobre Plano de
Carreira e Polícia Judicial. Ambas de vital importância
para os Agentes de Segurança. E é nesta hora
que nosso segmento não pode abrir mão da discussão,
de forma responsável e profissional, sobre o futuro
da segurança judiciária. Mas somente responsabilidade
e profissionalismo não bastam. Apesar das atribuições
diferenciadas e da prerrogativa das atividades de policiamento
armado, devemos ter a capacidade de nos enxergar dentro
do contexto de uma categoria maior, como servidores de um
poder. Precisamos aprimorar a capacidade da consciência
de classe, juntamente com os demais servidores do judiciário
federal. É inquestionável que, até
aqui, todas as nossas vitórias devem-se ao caráter
de solidariedade dos servidores como um todo e que, unidos,
somos mais fortes e vamos mais longe.
É dever, portanto, dos Agentes de Segurança,
cultivar e valorizar essa unidade e a confiança que
advém daí, pois se conquistamos avanços
até aqui, foi com o apoio irrestrito da grande maioria
dos demais servidores que, igualmente, prestam serviço
de inquestionável importância e qualidade.
Sempre foi na argumentação madura que conquistamos
adeptos à causa da segurança, e se quisermos
continuar avançando, não será com qualquer
atitude de isolamento que o faremos, mesmo nos momentos
em que, no debate, nossa opinião for minoritária.
Respeitar a democracia da organização dos
trabalhadores, também é um dever dos Agentes
de Segurança.
As premissas e prerrogativas da futura Polícia Judicial
defendidas pelos Agentes de Segurança, já
foram objeto de tese específica e encontram-se devidamente
incluídas no Plano de Lutas do 6º Congrejufe.
Defendemos assim, paralelamente às discussões
que terão lugar de forma mais aprofundadas no CONAS
- Coletivo Nacional dos Agentes de Segurança, da
Fenajufe, que a discussão sobre a constituição
de uma Polícia do Judiciário faça parte
e seja incluída nos debates sobre Plano de Carreira
que ocuparão de forma prioritária a agenda
de discussões da Federação no próximo
período.
NAS - Núcleo Agentes de Segurança do Sintrajufe
RS